Coronavírus Madeira

Madeira sem mortes por covid-19 é “sinal” da Senhora do Monte

A vida está “desamparada e frágil perante um inimigo invisível e traiçoeiro”, diz D. Nuno Brás, no texto da homilia que a Diocese enviou para os meios de comunicação social

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Foto Rui A. Silva/ASPRESS

Bispo do Funchal preside a missa solene da Festa da Nossa Senhora do Monte que este ano, devido à pandemia, não se seguirá da tradicional procissão

“A vida cristã é marcada pela luta”. Foi desta forma que o Bispo do Funchal começou a homilia deste sábado, feriado de 15 de Agosto, na missa solene da Festa de Nossa Senhora do Monte, para “incutir coragem aos cristãos e às suas comunidades”. 

Depois de rezar uma oração, às 11 horas, para agradecer a Nossa Senhora do Monte por não ter acontecido, até então, nenhuma morte por covid-19 na Região, altura em que também homenageou o trabalho dos profissionais de saúde e de segurança, os governantes e os decisores, D. Nuno Brás escolheu a história da travessia de Maria no deserto para comparar essa prova – que Maria ultrapassou – com a que o mundo enfrenta agora devido à pandemia.

“Vivemos, todos nós, neste mesmo momento, um terrível tempo de deserto. Começou mesmo por ser um tempo de confinamento, de silêncio, de ruas literalmente desertas e abandonadas” Bispo do Funchal, no texto da homilia que D. Nuno Brás profere neste 15 de Agosto na Igreja do Monte e que a Diocese do Funchal partilhou com os órgãos de comunicação regionais.

A pandemia é, naturalmente, um tema incontornável da actualidade e o Bispo do Funchal recorda a história da Virgem Maria “lutadora”, “mulher incansável que, no deserto, derrota o dragão”.

O deserto, explica o Bispo do Funchal, é “o lugar da prova, da tentação”. E Maria é “o sinal de que é possível vencer a provação”. Mas, diz D. Nuno Brás, o deserto é, por outro lado, “o lugar onde se revela a fidelidade divina” e “onde se manifestam as ‘impossíveis possibilidades’ de Deus, a sua ternura protectora, a fidelidade com que se mostra o seu amor. É o lugar do milagre”. E é também o “lugar da escuta da Palavra”.

A história que D. Nuno Brás conta na missa solene do Monte que este ano, devido à covid-19, não se seguirá da tradicional procissão, serve para lembrar que o “nosso tempo continua a ser um tempo de luta entre Deus e o que procura aniquilar o homem”, em que a “vida humana se pressente desamparada e frágil perante um inimigo invisível e traiçoeiro – um dragão invisível mas não menos apocalíptico”.

“É este um deserto que sussurra aos nossos ouvidos que Deus não existe ou que podemos passar sem Ele, e que devemos também ignorar ou desconfiar do próximo — ignorar que nos encontramos todos na mesma barca, como recordou o Papa Francisco”. Bispo D. Nuno Brás

O bispo releva que “este é, também, um deserto onde, de um modo particular, muitos sentiram a sede de Deus, a necessidade de um sentido para a existência, a procura do rosto de Alguém acima do mundo passageiro e frágil” e em que “muitos perceberam que Deus não está adormecido mas é antes um Deus próximo: próximo no rosto do próximo; próximo no rosto de quem partilhou e partilha connosco estas horas de incerteza; próximo no trabalho daqueles que nos hospitais e nos outros serviços do que se convencionou chamar a ‘linha da frente’ cuidam de todos, não raras vezes arriscando a própria vida”.

Uma proximidade que D. Nuno Brás acredita que os madeirenses e porto-santenses têm razões para reconhecer como “divina no meio daquilo que foram os desertos destes meses”. É que este tempo não deixou de ser “tentação, prova, sede. Mas não deixou, igualmente, de ser marcado pelo Sinal da Mulher, de Nossa Senhora – de Nossa Senhora do Monte”, reforçou.

“No tempo do confinamento, há cinco meses atrás, entregámo-nos, uma vez mais, como povo de Deus, nas mãos maternas de Nossa Senhora do Monte. E creio que, ao longo destes meses, Ela foi, uma vez mais, um sinal para nós: passámos todo este tempo sem qualquer morte entre os habitantes das nossas ilhas”, afirmou D. Nuno Brás, sem excluir que elas possam acontecer no futuro ou “uma qualquer outra desgraça causada ainda por esta pandemia que teima em não desaparecer”. 

Monte de fé, mas vazio de gente

Veja o vídeo registado esta tarde de sexta-feira, na véspera da festa de Nossa Senhora do Monte

É com agradecimentos “à intercessão de Nossa Senhora do Monte” que o Bispo do Funchal termina a homilia do 15 de Agosto 2020.

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