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Autoridades chinesas defendem campos de reeducação em Xinjiang

Foto REUTERS/Thomas Peter/File Photo
Foto REUTERS/Thomas Peter/File Photo

As autoridades de Xinjiang, no noroeste da China, afirmaram hoje que a maioria dos muçulmanos uigures detidos em centros de reeducação deixaram as instalações e assinaram “contratos de trabalho” com empresas locais.

Pequim enfrenta uma crescente pressão diplomática devido às acusações de que mantém detidos cerca de um milhão de uigures em centros de doutrinação política na região do Xinjiang.

Antigos detidos afirmam que foram forçados a criticar o islão e a sua própria cultura e a jurar lealdade ao Partido Comunista Chinês (PCC), numa reminiscência da Revolução Cultural (1966-1976), lançada pelo fundador da República Popular da China, Mao Zedong.

Predominantemente muçulmanos, os uigures são etnicamente distintos do grupo étnico maioritário do país, os chineses han, que constituem já a maioria da população em Xinjiang, região chinesa que faz fronteira com o Afeganistão e Paquistão.

Em conferência de imprensa, Shohrat Zakir, governador uigur de Xinjiang, recusou revelar quantos “estudantes” se encontram nos centros, mas defendeu as instalações como uma abordagem “eficaz” e “pioneira” para combater o terrorismo.

“A maioria das pessoas formadas nos centros de formação profissional foi reintegrada na sociedade”, disse Zakir.

“Mais de 90% encontraram empregos satisfatórios com bons rendimentos”, assegurou.

O vice-presidente de Xinjiang, Alken Tuniaz, adiantou que os relatos de maus-tratos nos campos foram fabricados por alguns países e meios de comunicação.

Alguns dos uigures relataram terem sido detidos apenas por viajarem além-fronteiras, comunicar com familiares a viver no exterior ou por usar a barba longa.

Os uigures acusam o Governo chinês de exercer um “genocídio cultural”.

Em 2017, barbas longas e véus faciais foram proibidos na região, assim como a proibição de nomes associados a figuras do islão.

Tuniaz disse que os centros protegem as liberdades das pessoas permitindo-lhes “pedir folga” e “ir regularmente a casa”.

Embora não possam praticar a sua religião dentro dos campos durante o “período de estudo”, os uigures podem praticar atividades relacionadas à sua fé em casa, afirmou.

As autoridades não revelaram se o programa é voluntário ou com que frequência as pessoas podem ir a casa.

Após a condenação internacional e extensas reportagens sobre os centros, a China começou a organizar viagens coreografadas a Xinjiang para jornalistas e autoridades estrangeiras.

Em 2009, a capital de Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional, despertando uma agressiva política de policiamento dos uigures.