Madeira

“Não vamos premiar aqueles que saíram do sistema público”

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Pedro Ramos não gostou da notícia do DIÁRIO, que dá conta de que existem 21 mil cirurgias em listas de espera e, aparentemente, gostou menos ainda dos comentários que o presidente do Conselho Médico da Madeira fez a essa realidade, a pedido do DIÁRIO.

Numa reacção, registada no Porto Santo, onde o secretário da Saúde se encontra, Pedro Ramos falou em dificuldade da comunicação social em lidar com os números “fidedignos”, que as entidades sob a sua tutela vão publicando. Ora, foram esses números fidedignos que revelaram que existem 21 mil cirurgias em lista de espera, mais precisamente 20.909.

O secretário da Saúde, nada disse sobre o facto de haver, a 31 de Dezembro de 2018 mais 2.210 cirurgias em espera do que em igual dia de 2017.

Depois, Pedro Ramos veio dizer que o número de cirurgias referido pelo DIÁRIO é muito inferior ao efectivamente realizado pelo SESARAM. Além de impreciso, o governante errou na observação. O número de cirurgias escrito na edição impressa do DIÁRIO, de hoje, foi 6.339. Esse número resulta do cálculo com base nos “números fidedignos” revelados pelo SESARAM e dizem respeito às cirurgias de Bloco central e já incluem 819 feitas ao abrigo do PRC - Programa de Recuperação de Cirurgias.

Pedro Ramos falou de quase 12 mil cirurgias. De facto, se contabilizarmos as de ambulatório e de pequena cirurgia obtemos 11.740. Mas, como há anos vem a fazer, o DIÁRIO comparou o comparável: cirurgias de bloco central com cirurgias de bloco central. Nas restantes cirurgias, há procedimentos que, apesar de serem muito importantes para quem deles usufrui, são pouco relevantes de um ponto de vista técnico e dos meios que exigem. Por exemplo, uma injecção intra-ocular é contabilizada como cirurgia, mas quase só necessita do médico oftalmologista, dispensa o anestesista. Mas é preciso notar que também há cirurgias complexas neste grupo.

Outra coisa que o governante não gostou foi das críticas de António Pedro Freitas feitas no âmbito de uma reacção à notícia, solicitada pelo DIÁRIO e publicada neste on-line.

Pedro Ramos disse não haver soluções milagrosas e que tudo o que o presidente do Conselho Médico da Madeira sugeriu, como solução, já está a ser feito e deixou um aviso: “Tudo o que é do sistema público vai ser realizado no sistema público. Não vamos premiar aqueles que abandonaram o sistema público, para darem resposta às dificuldades do sistema público”. Será uma resposta interna, “pelos nosso profissionais”, nas palavras de Pedro Ramos, nomeadamente, através do PRC. António Pedro Freitas já trabalhou no SESARAM, mas agora só faz privado, como deixou claro na reacção ao DIÁRIO.

Pedro Ramos disse também que o presidente do Conselho Médico da Madeira “não pode dizer que as soluções do público estão no privado”. O governante entende que isso prefigura “um conflito de interesses”, pelo facto de António Pedro Freitas apenas trabalhar no sector privado.

Ainda na reacção à notícia, solicitada ao secretário regional da Saúde, Pedro Ramos voltou a criticar a comunicação social, por não saber lidar com os números. Mas o secretário falou em 21 mil pessoas à espera de cirurgia, quando esse número corresponde ao número de cirurgias e não de pessoas (doentes). O número de doentes que, a 31 de Dezembro de 2018, esperavam por uma cirurgia era de 19.317, mais 1.763 do que um ano antes.

A diferença entre o número de cirurgias (21 mil ) e de doentes (19,3 mil) em espera resulta do facto de haver doentes com indicação para mais do que uma cirurgia.