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Cáritas Portuguesa lança campanha de donativos para ajudar moçambicanos

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A Cáritas Portuguesa lançou hoje oficialmente uma campanha de recolha de fundos para ajudar a população moçambicana afectada pelo ciclone Idai, respondendo a um apelo da Cáritas Moçambique.

O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, explicou hoje em conferência de imprensa, em Lisboa, que a recolha de fundos, no âmbito da campanha “Cáritas Ajuda Moçambique”, tem como objectivo permitir a compra local de bens de primeira necessidade, ajudando também a revitalizar a economia daquele país num momento de catástrofe.

“Não estamos a receber géneros, roupas, medicamentos e alimentos porque Moçambique ficou ainda mais pobre com este drama”, disse adiantando que esta é também uma ajuda para criar dinamismo económico.

Por outro lado, explicou, a experiência nestas situações já permite avaliar que os custos da logística para enviar os bens pode ser canalizado para a compra dos bens localmente, que há o perigo de extravio e que por vezes, como é o caso, não existem locais suficientes para armazenamento.

“Todo o dinheiro angariado será directamente para a satisfação das necessidades locais”, frisou.

Face ao apelo lançado pela Cáritas Moçambicana, através da rede internacional, a Cáritas Portuguesa activou de imediato o seu Fundo de Emergências Internacionais disponibilizando 25 mil euros.

Além disso, adiantou Eugénio Fonseca, de forma voluntária e ainda sem uma campanha oficial de solidariedade, a população portuguesa doou 36.300 euros.

“Tivemos muitos telefonemas de pessoas a perguntar como poderiam ajudar”, disse.

As duas verbas, explicou, foram imediatamente disponibilizadas à Cáritas Moçambique permitindo adquirir localmente dois mil kits de alimentação e quatro mil kits de higiene e saúde, que contem sabão e redes mosquiteiras.

Quatro mil agregados familiares foram já auxiliados prevendo a Cáritas Portuguesa que os contributos que surgirem aumentem o número de famílias apoiadas.

Agora o desafio feito à população portuguesa é que contribua para o donativo através do IBAN -- PT50 0033 0000 01090040150 12, do multibanco com a entidade/referência “22222”, em transferências “Ser Solidário” e por MB WAY 911597284.

De acordo com informações da Cáritas Moçambicana, as principais necessidades das famílias afectadas continuam a ser alimentos, água, roupa, abrigo, utensílios de cozinha e higiene.

A coordenação da actuação feita pela Caritas International que tem já no terreno um elemento especialista em resposta de emergência e que está a trabalhar directamente com os responsáveis da Cáritas Moçambique e o CRS (Cáritas United States).

O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, o bispo José Traquina, esteve também presente na conferência de imprensa para enviar uma mensagem de esperança para a população moçambicana.

“Este dia 25 de março é um dia com significado especial para a igreja em termos de calendário. É o dia em que a nove meses do 25 de dezembro é o dia em que se anuncia que o messias vai nascer. É o anúncio de uma esperança e esta coincidência do desafio da Cáritas neste dia tem uma marca de esperança”, disse.

O bispo disse ainda que a Cáritas Portuguesa tem experiência nestes apoios a nível internacional quer no financiamento de projectos de reconstrução quer de desenvolvimento das comunidades, lembrando as cheias em Moçambique no ano 2000.

“Moçambique vai necessitar de muito apoio continuado para edificar uma vida normalizada naquela zona de Moçambique e a Cáritas tem aí uma missão a cumprir. Apelo que esta campanha que agora é lançada seja de grande motivação à solidariedade de todos os portugueses”, disse.

O secretário-geral da Cáritas Moçambique, Santos Pedro Gotine, fez também uma apresentação via Skype com o ponto da situação localmente.

Segundo Santos Pedro Gotine, a situação na zona está a normalizar, mas em algumas zonas ainda há muita gente desaparecida estando as famílias a tentar sobreviver.

Neste momento, adiantou, a Cáritas moçambicana esta preocupada com a recuperação do povo moçambicano esclarecendo que a ajuda que precisam é de apoio financeiro para revitalizar a economia.

“Todo o apoio é necessário, mas também devemos lutar com grande esforço para recuperar a economia nacional. Adquirir produtos localmente é a primeira preferência. Se não encontrarmos temos a vizinha África do Sul porque quando recebemos produtos de fora a logística torna-se muito complicada”, adiantou.

Segundo as Nações Unidas, o ciclone Idai afectou 1,85 milhões de pessoas em Moçambique, estimando-se que mais de 480 mil tenham sido desalojadas pelas cheias que submergiram e destruíram uma área de mais de 3.000 quilómetros quadrados.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui fez pelo menos 762 mortos, segundo os balanços oficiais mais recentes.

Em Moçambique, o número de mortos confirmados subiu hoje para 447, no Zimbabué foram contabilizadas 259 vítimas mortais e no Maláui as autoridades registaram 56 mortos.

O governo moçambicano adiantou que estes números ainda são provisórios, já que à medida que o nível da água vai descendo vão aparecendo mais corpos.