Sindicato dos Jornalistas quer esclarecimentos sobre concurso para director do Diário do Alentejo
O Sindicato dos Jornalistas pediu hoje uma audiência à Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) para perceber como decorreu o concurso para diretor do jornal Diário do Alentejo, de que é proprietária, após várias dúvidas levantadas.
Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) diz que acompanha as preocupações dos “que não compreendem o que levou à abertura de um concurso em período de festividades, com encerramento de serviços pelo meio”, o facto de o concurso ter tido “como principal critério de seleção o preço” e o peso atribuído no concurso “à experiência na realização de vídeos e documentários audiovisuais -- quando o Diário do Alentejo tem edição impressa apenas”.
Além disso, refere o SJ, os três membros do concurso são militantes do Partido Socialista.
“O SJ está, como é evidente, a favor da realização de um concurso público para escolher o diretor do jornal Diário do Alentejo -- prática que foi utilizada para contratar o diretor cessante, Paulo Barriga --, mas de um concurso público que o seja efetivamente e que tenha como fim último concretizar uma informação independente do poder político, tenha ele a cor que tiver”, refere no comunicado o sindicato, pedindo que seja divulgada publicamente a grelha de avaliação do concurso e a proposta editorial escolhida.
O concurso para o cargo de diretor do Diário do Alentejo (DA), o único jornal com financiamento público do país, foi publicado em Diário da República no dia 17 de dezembro e terminou no dia 26, período com apenas seis dias úteis.
Em 27 de dezembro, o diretor do Diário do Alentejo, o único jornal público em Portugal, acusou a comunidade intermunicipal dona do jornal de ter feito um “saneamento político” e lançado um concurso “viciado” para escolher o seu sucessor.
Segundo o jornalista, à frente do semanário desde janeiro de 2011 e que foi o primeiro diretor do DA escolhido através de concurso público, “há qualquer coisa que não faz sentido” no presente concurso “quando se pretende que o diretor de um jornal tradicional em papel com 86 anos tenha experiência de realização de vídeos e documentários” e quando o critério de avaliação “com mais peso” é o preço, ou seja, a remuneração do diretor.
Segundo o anúncio, consultado pela agência Lusa, o concurso estabelece que os critérios de avaliação das propostas e adjudicação dos serviços são o preço (50%), a experiência profissional de jornalista (30%) e a realização de vídeos/documentários (20%).
Contactado recentemente pela Lusa, o presidente do conselho intermunicipal da CIMBAL, Jorge Rosa, que é também presidente da Câmara de Mértola (PS), rejeitou as críticas de Paulo Barriga, que considerou “um diretor isento”, e argumentou que o concurso público é “totalmente transparente”.
“Não pode haver saneamento político de uma pessoa que até iniciou funções quando o PS presidia à CIMBAL. Tanto quanto sei, Paulo Barriga tem sido um diretor isento, não tem de ser acusado por nenhum partido político”, afirmou.
O concurso público foi aberto, justificou, porque “a prestação de serviços do atual diretor do DA, por lei, já não podia voltar a ser renovada”.