Há mais mulheres no ensino superior em Portugal, mas eles continuam a ganhar mais
Conheça alguns factores de desigualdade social que persistem em Portugal no Dia Internacional da Igualdade Feminina
Assinala-se hoje o Dia Internacional da Igualdade Feminina. A data – que evoca a ratificação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão a 26 de Agosto de 1789, em França – foi instituída com o intuito de combater as desigualdades de género que, apesar das muitas vitórias alcançadas pelas mulheres ao longo das últimas décadas, ainda persistem na actualidade. Em Portugal, estas diferenças fazem-se sentir com alguma expressividade ao nível da remuneração salarial.
De acordo com os dados do relatório ‘Igualdade de Género em Portugal: indicadores-chave 2017’, publicado pela da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, no passado mês de Julho, em Portugal verifica-se que as remunerações médias de base são superiores nos homens.
“Os homens, em média ganham 990,05 euros de remuneração base mensal, enquanto as mulheres auferem 824,99 euros, assistindo-se a um gap (diferencial) de 16,7%”, refere o estudo. Por outras palavras, até 2015 (ano a que se reporta a análise), os homens portugueses ganhavam em média mais 165 euros do que as mulheres.
Segundo a mesma fonte, “o diferencial salarial entre mulheres e homens está estreitamente relacionado com os níveis de qualificação”: à medida que aumenta o nível de qualificação, maior é o diferencial salarial entre homens e mulheres, sendo particularmente evidente entre os quadros superiores. Neste nível de qualificação, o gap é de 26,4% na remuneração base. Note-se que em cada 100 pessoas com ensino superior completo, cerca de 60 são mulheres e cerca de 40 são homens. Apesar disso, para o mesmo nível de qualificação são eles quem ganha mais.
São ainda as mulheres quem continua a dedicar mais tempo às tarefas domésticas e de cuidado. “Em média, as mulheres trabalham, em casa, mais 1 hora e 45 minutos por dia do que os homens”, refere a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. Se é verdade que os homens afectam ao trabalho remunerado, em média, mais 27 minutos por dia do que as mulheres, no total do trabalho pago e não pago as mulheres continuam a trabalhar mais 1 hora e 13 minutos por dia do que os homens”.
No ano de 2015, a população residente em Portugal era de 10,341 milhões, continuando a assistir-se à tendência, ao longo de anos, da população residente ser maioritariamente composta por mulheres (52,6%).