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OEA acusa Governo venezuelano de usar a repressão para atentar contras pessoas desarmadas

Foto Reuters
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A Organização de Estados Americanos (OEA) acusou o Governo do Presidente Nicolás Maduro de usar a repressão para atentar contra pessoas desarmadas e acusou os responsáveis pelas forças de segurança de uma “ação sistémica de assassínios e torturas”.

“A guerra civil das forças repressivas do Estado, executada contra pessoas desarmadas, é a realidade do povo venezuelano hoje. É imprescindível encontrar um caminho pacífico à paz”, explica o secretário-geral da OEA, Luís Almadro, num vídeo divulgado hoje.

Segundo a OEA “a solução para a crise” na Venezuela passa por “respeitar a voz soberana do povo”.

“Cada ato de violência e repressão, a detenção e tortura, os tiros e cada assassinato, são as ferramentas de um regime que carece de autoridade, entendida esta como a capacidade para exercer o poder e gerar a obediência civil desde o respeito pelo pacto social. Os mais de 60 mortos na Venezuela são responsabilidade direta dos seus governantes”, sublinha.

Para Luís Almagro, “a autoridade moral do povo venezuelano é o seu pacifismo e a luta pelas liberdades, apesar do despropósito da repressão” que desde 01 de abril ocasionou a morte de quase uma pessoa por dia e levou o Ministério Público a acusar funcionários de várias polícias pelo delito de homicídio.

“O número de feridos nos protestos varia consideravelmente, desde aproximadamente 1.000 segundo dados oficiais do Ministério Público, até 15.000 segundo a oposição. No mesmo período, 2.990 pessoas foram detidas nas manifestações e 1.251 continuam presas”, explica.

Para a OEA, “cada dia que se prolonga a crise há mais mortos e feridos”, com mais venezuelanos a “morrerem pela falta de medicamentos e pela extrema repressão das forças de segurança e os coletivos paramilitares controlados pelo regime”.

“O ministro do Interior, Néstor Reverol, e o chefe da Guarda Nacional (polícia militar), major general Benavides Torres, são diretamente responsáveis pela repressão sistemática do Estado. São responsáveis pelas gravíssimas violações dos direitos humanos, incluindo crimes que lesam a humanidade, como uma ação sistémica do Estado de assassinar e torturar”, explica.

Por outro lado, precisa que “o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, chegou a reconhecer os excessos que cometem as forças de segurança e fez um apelo à Guarda Nacional Bolivariana para respeitar os direitos humanos, assumir a sua responsabilidade e abster-se de continuar a cometer atrocidades nas ruas”.

“Este reconhecimento não é suficiente. Horas depois, tivemos de lamentar mais mortos e a continuação da repressão e da perseguição que, longe de se reduzir, se estende por todo o país”, vincou.

A OEA denuncia ainda que “o Presidente Nicolás Maduro ameaçou o povo com 10 anos de prisão, se decidir manifestar-se contra uma Assembleia Constituinte ilegítima” e que a resposta às reclamações “das pessoas continua a ser o derramamento de sangue, a morte, o fascismo e a repressão”.

“A desculpa [de Nicolás Maduro] para a impunidade continua a ser a denúncia de forças externas e fantasmas imaginários. Um regime que se sustém na violação da Constituição, em calar a oposição com a censura, em anular o poder legislativo em forma absoluta, na repressão, a agressão e o assassinato é, sem dúvida, um regime ilegítimo, cujo poder tem por base práticas ditatoriais”, explica.