Portugueses conscientes da mudança climática e da vulnerabilidade do país

Lisboa /
19 Set 2018 / 16:08 H.

Os portugueses estão conscientes tanto da gravidade do problema global das alterações climáticas como da condição particular do país e da sua vulnerabilidade face à mudança do clima, disse hoje à agência Lusa a investigadora Luísa Schmidt.

De acordo com a investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que coordenou um estudo hoje apresentado, em Lisboa, os portugueses revelaram estar “muito preocupados” com as alterações climáticas.

Os dados de um inquérito realizado no âmbito do Inquérito Social Europeu, mostram que os mais jovens e mais escolarizados estão “muito mais por dentro das questões da energia” e das alterações climáticas.

“Há uma grande sensibilidade e preocupação com o tema, o que significa que as grandes catástrofes que tivemos com os incêndios e a seca por si só não gerariam este efeito se os cientistas não tivessem vindo explicar a relação dos fogos e dos eventos extremos às alterações climáticas”, concluiu.

O inquérito, defendeu, mostra a “enorme importância de criar uma cultura pública de ciência”.

A maioria dos inquiridos considera que é devido à acção humana que as alterações climáticas estão a processar-se, em articulação directa com as emissões de gases com efeito de estufa.

Foi também possível apurar “uma grande predisposição para a acção, sobretudo para reduzir os consumos energéticos”, afirmou.

“A consciência de que o clima está a mudar é enorme”, observou, indicando que 78% respondeu positivamente a esta questão. 20% admitiu que “provavelmente está a mudar”.

Metade (49%) não tem dúvidas de que as mudanças ocorrem pela acção humana. 42% por cento atribui a alteração à junção de factores naturais com a intervenção do homem. “Portanto, não há negacionistas, é residual”, observou, acrescentando que o valor apurado foi de 0,2% neste indicador e de 6% entre os que acreditam que o fenómeno acontece principalmente devido a fatores naturais.

“É uma preocupação já assumida e instalada”, referiu Luísa Schmidt, indicando que 52% dos inquiridos revelou estar “extremamente preocupado” e 36% assumiu estar “preocupado”.

À pergunta “Em que medida acha que as alterações climáticas vão ter um efeito extremamente negativo em todas as pessoas do mundo?”, a resposta dispara para 82% no item “extremamente negativo”.

A investigadora defende, porém, que Portugal precisa de melhorar a comunicação no que diz respeito à informação aos cidadãos para que possam mudar hábitos de consumo e incentivar o uso de energias renováveis, já que a apetência existe.

A maioria (67%) está a favor da utilização de dinheiro público para subsidiar energias renováveis.

Quase 90% declara-se favorável ao consumo de energia eólica e solar.

Já a exploração de energia fóssil e nuclear, não colhe “qualquer tipo de adesão” em Portugal.

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