Portugal é dos países europeus com menos bancários por habitantes

02 Nov 2017 / 08:28 H.

A redução do crédito malparado continuará a ocupar os bancos portugueses nos próximos anos, segundo um estudo da consultora Oliver Wyman, que estima que Portugal é dos países europeus com menos trabalhadores em bancos face ao número de habitantes.

De acordo com o relatório hoje divulgado pela Oliver Wyman sobre o sistema financeiro europeu, no final de 2016, havia em Portugal 45,1 bancários por cada 10 mil habitantes, um número 20% abaixo dos 56,7 bancários que havia em 2012 em Portugal por cada 10 mil habitantes.

Estes valores confirmam a redução de milhares de trabalhadores que houve nos últimos anos no sistema bancário português.

Com menos bancários do que Portugal, segundo este estudo, estão apenas Espanha e Grécia.

Espanha tinha, no final do ano passado, 40,3 bancários por cada 10 mil habitantes (abaixo dos 52,6 de 2012), enquanto na Grécia eram 39,7 face ao mesmo número de habitantes (abaixo dos 54 de 2012).

Já Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Holanda e Chipre tinham todos um rácio maior de bancários do que Portugal.

Dos analisados, o país com maior número de trabalhadores em bancos é o Chipre (com 91,1 por cada 10 mil habitantes, ainda assim abaixo dos 114,7 de 2012), seguindo-se a Alemanha (76 em 2016, face aos 82,7 trabalhadores por cada 10 mil habitantes em 2012).

Nesta lista segue-se França (60,1 bancários em 2016 face aos 65,2 em 2012), Reino Unido (59 em 2016; 71,8 em 2012), Holanda (50,4 em 2016; 63,1 em 2012) e Itália (48,7 em 2016; 53,3 em 2012).

A Oliver Wyman analisou ainda o número de agências bancárias por 1000 km2, concluindo que Portugal tinha, no final de 2016, cerca de 60 agências por cada unidade de território analisada, menos 21% do que em 2012. Com menos agências estavam Grécia, Holanda e Reino Unido (neste caso, dados de 2014).

Este estudo retrata a transformação da banca europeia nos últimos anos, desde a crise, destacando-se aumentos de capital, saída de geografias e linhas de negócios não lucrativas e a concentração entre instituições.

Contudo, o futuro é ainda de reestruturação, desde logo pela necessidade de adaptar o negócio às necessidades dos clientes, à evolução tecnológica (como a digitalização) e às exigências dos reguladores.

No caso de Portugal, a Oliver Wyman destaca o problema do elevado crédito malparado (NPL - non-performing loans), que estima em 19,5% do total no final de 2016, apenas abaixo de Grécia e Chipre (cerca de 45% em cada um).

A consultora espera que a sua redução seja uma prioridade dos bancos nos próximos anos.

“Os bancos com rácios NPL elevados (como Grécia, Itália e Portugal) são esperados que continuem o processo de reestruturação, redução e venda de NPL nos próximos cinco anos para reduzirem significativamente as suas exposições de risco”, refere.

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