Economista alerta para ensino arcaico e pouco sustentável

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28 Set 2017 / 15:28 H.

A maximização dos lucros é uma máxima ultrapassada que continua a ser ensinada aos gestores como há 50 anos, afirmou a economista Sofia Santos na abertura do Greenfest, no Estoril, que junta consumidores e empresas pelo desenvolvimento sustentável.

Com algumas excepções, “ainda se ensina a mesma economia e a mesma gestão dos anos 50, mas o mundo de hoje não tem nada a ver”, afirmou a economista Sofia Santos à agência Lusa à margem da conferência de abertura do Greenfest, que decorre até domingo no Centro de Congressos do Estoril.

Sofia Santos, que é secretária-geral do ramo português do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, afirmou que a resistência à mudança vem do hábito de “os professores ensinarem que o mais importante é maximizar os lucros, pelos mesmos livros de há 50 anos, o que é mais confortável”.

“Isso penaliza o desenvolvimento e o crescimento do país, as mentalidades estão agarradas a um conforto que vai penalizar as gerações futuras”, salientou, defendendo que “as escolas deviam atualizar-se, porque bibliografia não falta”.

Segundo Sofia Santos, as Nações Unidas e a Comissão Europeia convocam as empresas para se conseguir um futuro sustentável, mas isso esbarra com a desactualização dos currículos, nomeadamente em Portugal, nos quais a ética empresarial só está presente como disciplina optativa.

Da reciclagem dos óleos alimentares ao tratamento do lixo, passando pela reorganização das florestas, a sessão de abertura juntou vários sectores da defesa do ambiente e do sector empresarial “verde”.

Ao longo de quatro dias, passarão pelo Greenfest cerca de 2.200 crianças em visitas escolares, um sinal de “adesão e apetência” dos educadores pelos assuntos que têm a ver com o ambiente e o consumo sustentável, disse à Lusa o mentor do Greenfest, Pedro Norton de Matos.

O Greenfest assume-se também como um encontro de empresas que fazem o seu negócio nos sectores da reciclagem, da venda de produtos orgânicos e de outras actividades que se concentram em algum dos 17 objectivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, que vão do combate à fome e pobreza à preservação dos oceanos e dos seus recursos.

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