Eu gosto é do Verão

Já percebemos que estamos em contagem decrescente mas há coisas que nada servem a Democracia e começam a cansar os caracóis.

14 Jun 2018 / 02:00 H.

1. Estamos no tempo em que a bola comanda a vida. O campeonato mundial de futebol está à porta e teremos os entusiamos da seleção das quinas a animar os serões.

Miúdos e graúdos no divertimento dos jogos da nossa seleção apresentar-se-ão ao compromisso com a televisão e os ecrãs gigantes das praças com a indumentária adequada. O comércio destes produtos intensifica-se e nalguns casos a preços para qualquer algibeira. Mas, atenção!

Já pensou que não se trata apenas de comprar uma camisola a preço da chuva?

Já pensou que podem ser produtos contrafeitos?

2. Estamos no tempo em que as novelas do tempo nobre dos canais televisivos perdem “terreno” de audiência para a novela de “al”, a novela de ALcochete e ALvalade. Triste!!! Bruno de Carvalho constitui um caso de estudo perfeito para os estudiosos da liderança, da estratégia e da gestão de instituições. Well done!

O Senhor conseguiu humanizar o slogan da picadora moulinex. É 3 em 1.

Por muita razão que putativa e futuramente lhe possa ser reconhecida, nada justifica este enredo. O tempo de antena que lhe tem sido concedido, em conferências de imprensa mais longas do que as comunicações do presidente da república ao país, pouco ou nada servem.

Algo que faz ter saudades da conferência de Cavaco Silva em pleno mês de agosto, pelo chumbo ao pretendido novo estatuto politico administrativo dos Açores.

3. Estamos também no tempo em que renascem os fenómenos de xenofobia. Quem leu o escrito livre do Prof. Vital Moreira sob o título “Privilégios regionais” na edição da revista “dinheiro vivo” fica derreado com tanta intelectualidade rectangular.

Passo a citar:

“Para o escândalo ser completo, as regiões autónomas nem sequer contribuem para o financiamento dos serviços do Estado subsistentes nas ilhas, como as forças armadas, a polícia, os tribunais, as universidades, tudo ficando a cargo dos contribuintes do continente.”

“Escândalo”?

“Serviços subsistentes”.

Passo a citar ainda no mesmo artigo:

“Quando está colocado na agenda politica a questão da desertificação humana e o empobrecimento do interior do país, os privilégios financeiros da Madeira perdem toda a razão de ser e vão contra toda a lógica da coesão territorial. Não devem ser os mais pobres a financiar os mais ricos.”

Isto tudo vem a propósito da visita do PM António Costa e do anúncio da novidade (antiga) de financiamento ao novo hospital.

É isto e os pastéis de nata. De facto, como é que se pode promover o pastel de nata num país onde os números da obesidade infantil são assustadores.

Como seria este país se a extensão do seu território “mar a dentro” não contasse com os territórios insulares?

Estes sentimentos menos próprios são comuns a quem está com a “chave do cofre na mão” e contamina a mesa das negociações, quando nas confortáveis cadeiras de pele na metrópole são assumidas represálias do foro político-partidário porque o calendário eleitoral aperta.

Já percebemos que estamos em contagem decrescente mas há coisas que nada servem a Democracia e começam a cansar os caracóis.

É melhor pousar o cajado e fazer uma pausa para banhos de mar e sol. Eu gosto é do Verão!

Rafaela Fernandes
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