Conhecer o mar

São várias as entidades que promovem, na Região, a investigação na área do mar

13 Fev 2018 / 02:00 H.

A dimensão do mar leva-nos a um desafio ilimitado quando se considera a apreciação económica do mesmo.

Mais do que nunca, a Economia do Mar está na ordem do dia. Não porque Portugal e mesmo a Madeira tenham definido as respetivas estratégias, mas, acima de tudo, por aquilo que aqui se faz e como se faz.

Para além da atividade de “indústria”, propriamente dita, fundamental para expressão da Economia do Mar, todos os outros contributos – do ambiente, do lazer, da experiência ou mesmo da competição – são igualmente importantes, sobressaindo, no entanto, do alargado conjunto, aquele que se afigura indispensável para a existência e evolução deste afirmado setor social, político e económico. Refiro-me à área do conhecimento.

São muitos os exemplos que a Região pode evidenciar de boas práticas ao nível dos contributos para a afirmação da Economia do Mar.

Começamos pela expressão geográfica, onde o país se apresenta francamente devedor à Região. Ainda na área dos recursos naturais, as reservas e as áreas protegidas revelam bem a determinação existente no contributo local. Podemos analisar a pesca e a importância que tem para a população local, havendo uma outra dimensão quando a apreciação passa para a maricultura. O setor do turismo, através dos cruzeiros e da atividade das “marítimo-turísticas”, afirma, inquestionavelmente, uma participação relevante no produto regional. O Centro Internacional de Negócios da Madeira, por via do Registo de Navios permite uma singularidade no nosso conjunto. O envolvimento da Região em grandes eventos internacionais como os ligados à náutica, dos quais sobressaem a Extreme Sailing Series, a regata Transquadra e a inclusão do Porto Santo como um “way point” na primeira jornada da regata Volvo Ocean Race de 2017-2018, acrescenta um serviço à “Economia do Mar” que complementa e faculta uma presença externa amplamente reconhecida, garantido uma qualificada notoriedade.

A par de tudo isto, admitindo que são, apenas, algumas referências ao muito que aqui se faz, o conhecimento do mar representa um enorme potencial na afirmação da nossa diferença e da vantagem competitiva que a Região encerra, face ao resto do mundo.

São várias as entidades que promovem, na Região, a investigação na área do mar e que deixam uma marca merecedora de reconhecimento pela importância daquilo que se produz e, simultaneamente, pela credibilização que permitem, via conhecimento científico adquirido e desenvolvido neste território.

A Arditi – Agência regional para o desenvolvimento da investigação tecnológica e inovação, através do Observatório Oceânico da Madeira (Consórcio de todas as entidades regionais com atividade na área da investigação cientifica, onde se inclui, entre muitos outros, a Estação de Biologia Marinha e o Museu Municipal do Funchal, o MARE – Centro de Ciência do Mar e do Ambiente e o Centro de Maricultura da Calheta) constitui a nossa referência na investigação científica, no aprofundar do conhecimento do mar e na afirmação do nosso posicionamento internacional. Os contributos deixados são imensos e de grande importância, o que impõe, necessariamente, um reconhecimento à dedicação das respetivas equipas de trabalho, sendo indispensável um cumprimento, em forma de agradecimento, pelo acreditar, pelo envolvimento, pela persistência, pelos resultados e, acima de tudo, por tanto que ainda nos vão dar, num domínio tão vasto como a imensidão do próprio Mar.

Eduardo Jesus

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