União Africana e Estados membros vão repatriar mais de 15.000 migrantes da Líbia

05 Dez 2017 / 23:01 H.

A União Africana (UA) e Estados membros assegurarão o repatriamento até final do ano de mais de 15.000 migrantes retidos da Líbia, na sequência da denúncia de mercados líbios de escravatura, disse hoje o vice-presidente da organização.

O repatriamento dos migrantes, com a UA a garantir a documentação e facilidades na viagem, vai realizar-se em cooperação com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), revelou Kwesi Quartey, na sua conta na rede social Twitter, sem especificar quais os países de destino.

Entre 400 e 700 mil migrantes africanos permanecem em dezenas de acampamentos na Líbia, a maioria com condições desumanas, disse o presidente da comissão diretiva da UA, Moussa Faki Mahamat, na cimeira de líderes europeus e africanos, na semana passada.

A OIM refere que mais de 423 mil migrantes estão identificados na Líbia, a maioria provenientes de nações pobres da África subsaariana.

Na semana passada, os líderes africanos e europeus elaboraram um plano de evacuação de emergência para os migrantes, concordando em transportar 3.800 retidos, pelo menos, em mais de 40 centros na Líbia.

Marrocos, França e Alemanha disponibilizam as transportadoras aéreas, de acordo com o gambiano Ebrima Jobe, lembrando que cerca de 200 cidadãos da Gâmbia foram repatriados em 30 de novembro, enquanto entre 4.000 e 5.000 ainda estão em campos da Líbia.

A Europa tem-se empenhado em impedir o fluxo de dezenas de milhares de africanos que fazem a perigosa travessia do Mediterrâneo, mas muitos africanos, que fogem do desemprego e de consequências climáticas, ainda fazem a viagem no mar Mediterrâneo, arriscando a vida.

A venda de migrantes como escravos - o preço varia entre 400 e 500 dólares (337 e 421 euros) por pessoa - foi denunciada pela CNN, estação de televisão norte-americana.

Milhares de migrantes dirigem-se para a Líbia na esperança de eventualmente chegar à Europa através do Mediterrâneo, enfrentando muitas vezes tratamentos desumanos por contrabandistas.

Um nigeriano recentemente repatriado contou à agência Associated Press que pagou 1.600 dólares (1.349 euros) “a um nigeriano chamado Fix It, em 2016, para a viagem ilegal para a Europa através da Líbia”.

“Mas, ao chegar à Líbia, ele abandonou-nos”, disse o homem, que manteve o anonimato por temor pela sua segurança, acrescentando que o grupo que integrava foi detido pelos membros das milícias líbias, que os mantiveram em cativeiro e os torturaram, além de não lhes fornecerem alimentos.

Mais de uma dezena de nigerianos, incluindo meninas, foram tiradas e vendidos como escravos, porém o homem que relatou a sua experiência teve a sorte de ser resgatado pelas forças de segurança e foi repatriado em julho.

O nigeriano está entre os mais de 5.000 compatriotas repatriados da Líbia nos últimos dois anos, de acordo com Abike Dabiri-Erewa, assistente especial do presidente da Nigéria.

Tópicos

Outras Notícias