UE preocupada com crise na Venezuela denuncia novo “golpe” nas eleições

19 Abr 2018 / 10:38 H.

A União Europeia (UE) manifestou-se hoje preocupada com a crise económica que “afecta seriamente” a população da Venezuela, incluindo europeus que lá residem, e que resulta na imigração em massa, nomeadamente para o Brasil.

Segundo um comunicado do Serviço de Acção Externa, tutelado por Federica Mogherini, a UE vê com preocupação - e monitoriza em coordenação com a ONU e outras organizações internacionais - “o impacto social da crise económica que afecta seriamente a população, incluindo muitos cidadãos europeus residentes no país, e leva à actual migração em massa que está a levantar problemas às comunidades anfitriãs, particularmente na Colômbia e Brasil, e à estabilidade regional”.

A UE reiterou o apoio às pessoas afectadas.

Por outro lado, a UE considerou que “a recente decisão do Conselho Nacional Eleitoral de limitar a participação nas eleições locais e regionais aos partidos que apresentem candidatos às eleições presidenciais um duro golpe na credibilidade do processo”.

Tal decisão, denuncia o Serviço de Acção Externa, “só irá exacerbar a polarização e criar mais obstáculos a uma solução pacífica”.

O embaixador português em Caracas afirmou, na terça-feira, em Lisboa, que a comunidade portuguesa na Venezuela era “de classe média”, mas agora vive “graves dificuldades”, devido à crise económica naquele país.

“A grande maioria da nossa comunidade, em tempos, era classe média, e neste momento, devido à desvalorização da moeda, tem graves dificuldades”, afirmou Carlos Sousa Amaro, embaixador em Caracas desde setembro passado, numa audição pelos deputados da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

Face à crise migratória, o governo do estado brasileiro de Roraima entrou com uma acção no Supremo Tribunal Federal pedindo o encerramento temporário na fronteira com a Venezuela, devido à vaga migratória, e recursos adicionais para responder à chegada de refugiados.

Desde 2016, mais de 50 mil venezuelanos cruzaram a fronteira do Brasil com a Venezuela e muitos destas pessoas ocupam abrigos já existentes ou dormem em tendas.