Primeiro-ministro da Líbia diz que eleições podem resolver crise política

Líbia /
24 Dez 2017 / 17:45 H.

O primeiro-ministro da Líbia, Fayez Serraj, afirmou, no sábado, que a realização de eleições pode resolver a crise política no país, durante um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Angelino Alfano, na capital, Tripoli.

Fayez Serraj indicou que a Comissão Eleitoral da Líbia iniciou o registo de eleitores e os preparativos para realizar eleições no próximo ano, depois da aprovação da lei eleitoral e da votação de uma Constituição para o país, informou o gabinete do primeiro-ministro citado pela agência de notícias chinesa Xinhua.

No entanto, a recusa de determinadas partes no processo político “complica o cenário” que “requer posições firmes por parte da comunidade internacional”, sublinhou Fayez Serraj.

O marechal Khalifa Haftar, homem forte no leste da Líbia, declarou há dias como prescrito o governo apoiado pelas Nações Unidas em Tripoli, uma vez que expirou o prazo do acordo assinado em dezembro de 2015, que facilitou a sua formação.

Num discurso transmitido através da televisão, no passado domingo, o controverso militar lembrou que o acordo de Skhirat (Marrocos), forçado pela própria ONU, autorizava a criação de um executivo de transição por um período de um ano, que podia ser renovado apenas uma vez.

“Todas as instituições saídas desse acordo perderam de forma automática a sua legitimidade, que foi contestada desde o primeiro dia em que assumiram as suas funções”, disse o oficial, que controla mais de 70% do país e a maior parte dos seus ricos recursos petrolíferos.

A posição de Khalifa Haftar figura como um duro golpe para o novo plano de paz posto em marcha em setembro passado pelo novo enviado da ONU para a Líbia, o libanês Ghassan Salamé, que pretende convocar eleições legislativas e presidenciais no próximo ano.

O representante das Nações Unidas instou os dois governos -- o de Tripoli e o de Tobruk (leste), controlado por Khalifa Haftar -- a negociar e criar uma instituição transitória que organize os atos eleitorais, apelando às partes para “se absterem de qualquer ação passível de minar o processo político”.

As Nações Unidas mantêm que o mandato do governo de Tripoli continua em vigor até que seja apresentado um novo.

A Líbia mergulhou no caos após a revolta de 2011, que derrubou e matou o ditador Muammar Khadafi, estando devastada por conflitos entre milícias.

Duas autoridades disputam o poder no país: um governo de união nacional reconhecido pela comunidade internacional, sediado em Tripoli, e uma autoridade que exerce o poder no leste da Líbia, com o apoio do marechal Khalifa Haftar e do autoproclamado Exército Nacional Líbio (ANL), vinculado ao governo em Tobruk.

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