ONG local denuncia que Governo da Nicarágua expulsou missão da ONU

31 Ago 2018 / 18:50 H.

O Governo da Nicarágua expulsou do país a missão da ONU para os Direitos Humanos, denunciou hoje a organização não-governamental (ONG) Centro nicaraguense dos Direitos Humanos (Cenidh).

A decisão das autoridades de Manágua surge alguns dias depois da publicação pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos de um relatório que denunciava “o uso desproporcionado da força” pelo Governo em protestos iniciados em meados de abril naquele país e que fizeram, até à data, mais de 300 mortos e cerca de 2 mil feridos.

Não foi possível confirmar até ao momento esta informação junto de membros da missão da ONU, segundo indicou a agência noticiosa francesa France Presse (AFP).

Esta medida “reflecte a intenção de uma pessoa que se sente completamente perdida e que já não pode esconder nem a sua responsabilidade, nem a verdade”, declarou a presidente da Cenidh, Vilma Nuñez, numa referência ao Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega (esquerda).

Num relatório divulgado na quarta-feira em Genebra, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos denunciou “o uso desproporcionado da força, que se traduziu em alguns casos em execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias, tortura e maus-tratos”.

Segundo o Alto Comissariado, entre 18 de Abril, data do início das manifestações contra o Governo de Orteja, e 18 de Agosto, pelo menos 300 pessoas foram acusadas “de terrorismo e de crime organizado” depois de terem participado nos protestos antigovernamentais.

Daniel Ortega rejeitou este relatório, qualificando o Alto Comissariado da ONU como um “instrumento de políticas de terror, mentiras e infâmias”.

Ortega foi Presidente da Nicarágua entre 1985 e 1990 e regressou ao poder em 2006. Foi reeleito em 2011 e 2016.

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