OMS alerta para aumento do número de casos de cólera no Zimbabué

15 Set 2018 / 00:32 H.

O número de casos suspeitos de cólera no Zimbabué já ultrapassou os 4.000, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), que alertou ainda para a rápida expansão da doença no país.

“Estão a ser registados entre 400 a 700 casos por dia. São muitos e é um dado muito relevante, tendo em conta que vivem dois milhões de pessoas em Harare”, afirmou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.

Ainda que os primeiros casos da doença só tenham sido detetados em Harare, foram registados casos em Chitungwiza, uma cidade próxima da capital, e casos isolados em cinco das dez províncias do país.

Três pessoas foram hoje colocadas em quarentena em Bulawayo, a segunda maior cidade do Zimbabué, por apresentarem sintomas de cólera, de acordo com o jornal zimbabueano Chronicle.

As autoridades declararam o início surto no dia 06 de setembro e decretaram o estado de emergência na terça-feira, dia 11.

A OMS enviou vários especialistas em doenças virais para o país para a organização de campanhas de vacinação e para a entrega de material para reidratação e antibióticos para tratar os infetados.

Lindmeier explicou que embora a campanha de vacinação esteja a ser organizada, deve procurar-se melhorar as condições de higiene e saneamento, além da origem do surto.

“Temos de responder depressa, antes que fique fora de controlo”, indicou, lembrando que o epicentro do surto está na capital e que há que “vigiar o que acontece em povoações remotas”.

O Ministério da Saúde do Zimbabué e a OMS alertaram na quinta-feira que esta estirpe da bactéria parece resistir à ação dos antibióticos presentes no país.

As autoridades do Zimbabué proibiram, na quarta-feira, qualquer reunião pública em Harare, num esforço para conter o surto de cólera que já provocou a morte de pelo menos 28 pessoas, segundo o Ministério da Saúde.

A Universidade do Zimbabué, em Harare, adiou a cerimónia de formatura marcada para hoje.

Na terça-feira, o Zimbabué declarou estado de “emergência sanitária” devido ao surto de cólera que já provocou a contaminação de 2.000 pessoas devido à ingestão de água contaminada.

O surto começou nos subúrbios de Glen View e Budiriro, onde, segundo funcionários do Conselho Municipal de Harare, uma fuga num cano de esgoto contaminou a água dos poços comunitários que abastecem as comunidades locais.

Harare, como muitas outras aldeias e cidades do país, não dispõe de água potável suficiente, obrigando as habitantes a usar água de poços não protegidos.

O Governo do Zimbabué pediu ajuda às Nações Unidas e a empresas privadas para que abasteçam as zonas contaminadas com água potável.

Esta é a quarta vez, nos últimos 15 anos, que a cólera - doença tratável que causa vómitos e diarreia intensos e pode ser mortal se não for tratada a tempo -, atinge o Zimbabué.

Em 2008 e 2009, a maior epidemia de cólera registada na história do país matou mais de 4.000 pessoas em nove meses e mais de 90.000 foram infetadas.

Outras Notícias