Fenómenos de extinção de grandes mamíferos ligados à expansão dos humanos

20 Abr 2018 / 06:18 H.

Os humanos, como os homens de Neandertal e os ‘Homo sapiens’ (humanos atuais), começaram a caçar mamíferos de grande porte 90.000 anos mais cedo do que se pensava e a gerar fenómenos de extinção, conclui um estudo divulgado ontem.

Mamutes-lanudos, preguiças-elefante e várias espécies de grandes felinos, comuns há entre 2,6 milhões de anos e 12.000 anos, começaram a sofrer fenómenos de extinção mais acentuados que mamíferos mais pequenos, que o estudo conclui, a partir da análise de fósseis, terem começado em África há 125.000 anos. Estudos anteriores colocavam o início esses fenómenos de “extinção por tamanho” há 35.000 anos na Austrália.

O estudo, publicado na revista “Science”, associa esses fenómenos à expansão territorial do ‘Homo sapiens’ e refere que “o tamanho médio dos mamíferos africanos já era 50% mais pequeno do que em outros continentes, apesar do facto de massas de terra maiores poderem, geralmente, suportar mamíferos maiores”.

Os investigadores, das universidades norte-americanas de Nebraska-Lincoln, Califórnia-San Diego e do Novo México, defendem que à medida que os ‘Homo sapiens’ migraram para fora de África, outras “extinções por tamanho” começaram a ocorrer em regiões e épocas que coincidem com os padrões de migração humana conhecidos.

Com o tempo, o tamanho médio dos mamíferos nos novos territórios ocupados pela espécie humana aproximou-se e depois caiu muito abaixo do tamanho médio de África, fazendo com que os mamíferos que iam sobrevivendo, fossem mais pequenos do que aqueles que foram extintos.

A principal autora do estudo, Felisa Smith, da Universidade do Novo México, considera que a escala das “extinções de tamanho” associadas à disseminação do ‘Homo sapiens’ superaram qualquer outro fenómeno do género registado nos últimos 66 milhões de anos.

“Até os humanos se tornarem um fator, a corpulência não tornava os mamíferos mais vulneráveis à extinção”, afirma Kate Lyons, uma das autoras do estudo, num comunicado divulgado pela universidade de Nebraska.

O estudo conclui que a redução global do tamanho dos mamíferos começou “pouco depois” do aparecimento do ‘Homo sapiens’, há cerca de 200.000 anos.

“Do ponto de vista da história, faz sentido. Se matarmos um coelho, vamos alimentar a nossa família por uma noite, se matarmos um grande mamífero, vamos alimentar a nossa aldeia”, diz Kate Lyons.

Os autores do estudo consideram que a tendência de redução do tamanho dos mamíferos associada à atividade humana pode continuar e em apenas algumas centenas de anos, o maior mamífero terrestre poderá vir a ser a vaca doméstica.

O estudo alerta que como os mamíferos desempenham um papel fundamental na formação dos ecossistemas, a tendência de redução do tamanho terá um impacto “em cascata” em relação a outros organismos.

Segundo o estudo, “o que estamos a fazer é potencialmente apagar entre 40 e 45 milhões de anos de evolução do tamanho do corpo de mamíferos num período muito curto de tempo”.

Outras Notícias