Autoridades venezuelanas vão trabalhar com empresários portugueses para aplicar novas políticas económicas
As autoridades venezuelanas vão trabalhar regularmente em articulação com os empresários luso-venezuelanos na aplicação das novas políticas económicas, anunciou hoje o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
“Há um compromisso da parte das autoridades venezuelanas de que os nossos empresários terão um acompanhamento [da parte delas], tendo em vista permitir que façam a adaptação das suas estruturas empresariais e económicas sem estarem a temer uma política inspetiva que coloque em causa a sua segurança e estabilidade”, disse José Luís Carneiro, em Caracas, após uma reunião com o vice-ministro de Relações Exteriores para a Europa, Iván Gil.
A reunião “foi muito positiva. Estive acompanhado pelo senhor embaixador e, também, por alguns dos nossos empresários, por empresários que sei [que] representam uma parte muito significativa da distribuição”, acrescentou.
“Temos aqui empresários que representam 25% da distribuição no país e foi possível, por um lado, ilustrar que estes empresários estão comprometidos com as novas orientações de política económica e querem cumprir todas as obrigações”, disse o governante português.
José Luís Carneiro frisou, ainda, que são empresários que se estimem que “criem mais de 200 mil postos de trabalho no país e são essenciais para a vida social e económica”.
Este conhecimento da importância dos portugueses na Venezuela “foi também reconhecido pelo senhor vice-ministro de Relações Exteriores, que reconhece não apenas a importância deste grupo de empresários portugueses, como a sua função social e a sua função económica”, afirmou.
“Há um conjunto muito vasto de mudanças que exige um tempo de adaptação das estruturas económicas. Estamos a falar de alterações relativas à política monetária, aos impostos, ao IVA e IRC, de alterações de remuneração do trabalho e, portanto, de questões laborais”, disse.
José Luís Carneiro acrescentou que foi manifestada “incompreensão perante as detenções [de empresários luso-venezuelanos] que foram realizadas e que a questões de natureza administrativa se respondesse com detenções”.
“O senhor vice-ministro compreendeu esta preocupação e mostrou total disponibilidade para regularidade reunir com regularidade com o senhor embaixador e empresários portugueses, tendo em vista garantir que todas as orientações de política económica estão a ser cumpridas”, revelou o secretário de Estado.
Quanto ao regime de apresentação periódica às autoridades dos 34 empresários que foram detidos recentemente, explicou que “é uma obrigação que decorre da aplicação da legislação do país. Uma questão são as autoridades judiciárias e outra coisa são as autoridades políticas”.
“Os portugueses cumpriram em relação às alterações fiscais, à remuneração dos trabalhadores, ao abastecimento dos seus estabelecimentos e há matérias que têm a ver com problemas ao nível da produção, que se refletem depois naquela que é a face visível da economia, que é a comercialização”, explicou.
Porém, “em todas as matérias foi possível demonstrar que há uma total boa fé destes empresários” em cumprirem com as novas políticas económicas.
“Além do reconhecimento, os portugueses vão contar com todo o apoio das autoridades para que as dúvidas rapidamente sejam esclarecidas e rapidamente se possa restituir a regularidade ao funcionamento económico e empresarial das nossas comunidades”, afirmou.