Verão de todos os santos

13 Nov 2017 / 02:00 H.

    Reza a tradição que por altura de São Martinho, por poucos dias, a temperatura aumentava ligeiramente e que na Madeira designava-se pelo Verão do São Martinho. Já se está a tornar demasiado preocupante a falta da chuva que por esta altura se fazia sentir. Depois de tanta calamidade vivida no nosso país em relação a fogos florestais, que resultaram em autênticos dramas para as populações afectadas, apraz-me dizer que; afinal aquilo que os cientistas e investigadores apelidados muitas vezes por profetas da desgraças, mas conhecedores da evolução do clima e dos crimes contra o planeta, estamos a sentir na pele esses efeitos que pareciam ser uma miragem do futuro. Já não podemos falar no passado, pois o presente constatasse que é agora e já que evidenciam-se as situações antes profetizadas, e continuamos sem tomar as devidas medidas para minimizar a situação que todos nós ajudamos a criar, que já nem se designa de futuro mas um presente bem presente, bem actual e que merecem toda a nossa atenção, preocupação, medidas de responsabilidade e acção, pois o que estamos a ver em nada abona a que venhamos a ter um futuro risonho e digno para os nossos filhos e netos. A maneira selvagem com que temos tratado o nosso planeta, as nossas florestas, as nossas águas, deixa muito a desejar e já não é para as gerações vindoiras que tanto se falava nas décadas de 80 e 90 é já! agora mesmo!! as calamidades mesmo estão à nossa frente, bem de fronte dos nossos olhos que por vezes fechamos-los, para não querer acreditar que também de certa forma somos cúmplices destes atentados. A nossa terra ainda consegue ser privilegiada pelo ouro do século XXI; A água deveria ser mais aproveitada, protegida, cuidada, amada, conservada e preservada pois como diz a sabedoria popular, a água é vida e quem de nós não ama a vida? Aquilo que muitos de nós achava que as sequências de avisos sobre o que seria o futuro no nosso planeta pareciam previsões longínquas que as gerações vindoiras teriam de acautelar, mas afinal tudo foi tão rápido que cabe-nos a nós ter uma atitude mais responsável, perante tamanha calamidade que estamos a enfrentar. Em vez de andar à procura de culpados, tenhamos atitude de cidadania responsável e todos juntos por uma só causa, responsabilizemos-nos por acabar de uma vez por todas com esta epidemia de cidadãos irresponsáveis, atirando culpas uns aos outros e com atitude e determinação chegar a um consenso para as grandes soluções. A desertificação do planeta, a degradação dos solos, a alteração climática, a poluição do ar, a escassez de água não é coisa do futuro é já e agora; por isso deixemos-nos de queixinhas e mãos à obra.

    A.J.Ferreira