O escritor e encenador Jorge Listopad morre aos 95 anos

Lisboa /
02 Out 2017 / 14:15 H.

O escritor, professor e encenador checo Jorge Listopad, radicado há várias décadas em Portugal, morreu no domingo aos 95 anos, em Lisboa, disse à Lusa a Escola Superior de Teatro e Cinema.

Poeta, cronista, encenador, Jorge Listopad nasceu em 1921, em Praga, onde se doutorou em Filosofia, mas vivia em Portugal desde a década de 1950, onde desenvolveu um prolífico percurso nas artes, da literatura ao teatro.

As mais recentes encenações do autor foram “A instalação do medo”, em 2014, no Teatro Municipal São Luiz, e “Meu tio Jaguar”, em 2012, no Teatro Nacional D. Maria II.

De acordo com a biografia disponível na página oficial do autor, Jorge Listopad perdeu a família durante a Segunda Guerra Mundial, perseguida pelo regime nazi de Hitler.

Chegou a pertencer à Resistência e viveu exilado em Paris, onde trabalhou, por exemplo, na Televisão Francesa.

Já em Portugal, viveu no Porto, onde foi um dos fundadores da RTP Porto e trabalhou como realizador de televisão. Mais tarde mudou-se para Lisboa para leccionar no Instituto Superior de Ciência Política.

Colaborou com vários jornais portugueses e checos, presidiu à Comissão Instaladora da Escola Superior de Teatro e Cinema, codirigiu o Teatro Nacional D. Maria II e, em 1981, fundou e dirigiu o Grupo de Teatro da Universidade Técnica de Lisboa.

Jorge Listopad, que faria 96 anos a 26 de Novembro, encenou cerca de 60 peças de teatro e ópera e deixa cerca de 50 obras de prosa, poesia e ensaio, em checo, português e francês, nomeadamente “Remington”, “Estreitamento progressivo”, “O jardim fecha às 18h30” e “Fruta tocada por falta de jardineiro”.

Em Portugal, Jorge Listopad teve um percurso premiado, nomeadamente pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e pela Presidência da República, que lhe atribuiu o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Jorge Listopad foi ainda agraciado com a Medalha Militar Checoslovaca da Resistência (1945) e nomeado Companheiro do Marechal Tito (1946), tendo sido distinguido também com o Prémio da Academia de Artes e Ciências de Praga, pelo conjunto da sua obra.

Recebeu igualmente o 1.º Prémio do Conselho Cultural de Estocolmo (1952), o 1.º Prémio da Rádio Europa Livre de Poesia (1954), a Medalha de Ouro do Prémio Europeu Franz Kafka (2000), a Medalha de Mérito Nacional da República Checa (2001), o Prémio Gratias Agit (Praga, 2004), o Prémio Jaroslav Seifert (Praga, 2007), pela e é doutor honoris causa pela Universidade de Brno (República Checa, 1992) e pela Universidade Carolinum, de Praga.

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