Costa condena "violenta repressão" e diz que UE está "ao lado dos corajosos iranianos"
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, condenou hoje a "violenta repressão" do regime que lidera o Irão aos manifestantes e garantiu que a União Europeia (UE) está "ao lado dos corajosos iranianos".
"O regime iraniano deve cessar a violenta repressão contra o seu próprio povo. Estamos ao lado dos corajosos iranianos que reivindicam direitos básicos, dignidade e liberdade", pode ler-se, numa mensagem divulgada hoje à noite na sua conta na rede social X.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada na capital por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a dezenas de cidades do país.
A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos e da ONU devido ao programa nuclear de Teerão.
De acordo com a organização não-governamental Iran Human Rights (IHRNGO), sediada na Noruega, pelo menos 648 manifestantes foram mortos desde 28 de dezembro em 14 províncias no Irão.
Entre os mortos, estão nove menores, indicou a organização não-governamental, que registou ainda milhares de feridos e estima que o número de detidos ultrapasse os dez mil.
Algumas estimativas, que a ONG não conseguiu verificar, sugerem um número de mortos bastante superior, atingindo mais de 6.000, acrescentou em comunicado divulgado no 'site'.
Também hoje, o Governo belga convocou o embaixador iraniano em Bruxelas para protestar contra a repressão das manifestações.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prévot, denunciou as medidas implementadas pelas autoridades iranianas como uma tentativa de "reprimir um movimento que exige democracia, a legítima aspiração dos iranianos a uma vida melhor".
"Estou a acompanhar de perto a evolução da situação juntamente com os meus homólogos europeus. A Bélgica está preparada para discutir novas sanções europeias", acrescentou.
O anúncio de Bruxelas surgiu horas depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão ter convocado os embaixadores de países europeus como o Reino Unido, a Alemanha, a Itália e a França, mostrando-lhes um vídeo da "violência dos manifestantes" e exigindo a "retirada das declarações oficiais de apoio aos protestos".
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, referiu hoje que o Presidente norte-americano, Donald Trump, está a considerar ataques aéreos no Irão para terminar a repressão do regime aos protestos.
Em junho, Israel e Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra instalações ligadas ao programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão.