PSP disparou projécteis de borracha “para o ar” em resposta a desacatos em Lisboa

Lisboa /
21 Jan 2019 / 22:36 H.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) admitiu hoje que teve de disparar projécteis de borracha “para o ar”, na sequência do apedrejamento de agentes na Avenida da Liberdade, em Lisboa, por moradores de um bairro social do Seixal.

Segundo Tiago Garcia, porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP, foram efetuadas “quatro detenções”, devido a confrontos na Avenida da Liberdade, envolvendo moradores do bairro da Jamaica.

As autoridades tentaram conduzir o grupo de manifestantes “para a berma, mas foram recebidos com pedras e petardos”, o que “motivou uma intervenção mais musculada”, explicou a mesma fonte do Cometlis.

Em resposta aos manifestantes, Tiago Garcia confirmou que “foram feitos disparos com bagos de borracha para o ar, como forma de advertência”, para dispersar os agressores, assegurou.

“Lançaram várias pedras da calçada e petardos contra os polícias, houve necessidade de dispersar os manifestantes e a intervenção sentiu necessidade de efetuar os disparos. Estiveram aqui vários meios da equipa de intervenção rápida, da divisão de trânsito e do corpo de intervenção”, disse, não revelando o número de operacionais envolvidos na ocorrência.

O porta-voz da PSP acrescentou que, em consequência dos incidentes, registaram-se “polícias feridos, mas tudo ligeiros”, que não necessitaram de receber assistência hospitalar, tendo sido alvo do arremesso de pedras.

Diversas viaturas ficaram “danificadas, devido às pedras” e aos petardos, incluindo um veículo da PSP.

A mesma fonte policial, que falava aos jornalistas na zona do Rossio, assegurou que “os ânimos estão calmos” e que a polícia “continua no local para manter a ordem” e que “a cidade está segura”.

Os carros da PSP e viaturas das equipas de intervenção que estavam na zona do Rossio e dos Restauradores começaram a abandonar o local cerca das 20:30.

Hoje, dezenas de moradores no Bairro da Jamaica, no Seixal, distrito de Setúbal, protestaram durante a tarde em frente ao Ministério da Administração Interna (MAI), em Lisboa, para dizer “basta” à violência policial e “abaixo o racismo”.

Os incidentes ocorreram quando, cerca das 17:00, os manifestantes subiram a Avenida da Liberdade, em direção ao Marquês de Pombal, onde ocuparam a praça central.

Pelas 18:30 começaram a descer a avenida, ocupando as faixas centrais e impedindo a circulação rodoviária, indicou a fonte da PSP.

O protesto teve como motivo a intervenção policial realizada no domingo de manhã no bairro da Jamaica, quando a PSP foi alertada para “uma desordem entre duas mulheres”, tendo sido deslocada para o local uma equipa de intervenção rápida da PSP de Setúbal.

Segundo a PSP, um grupo de homens reagiu à intervenção dos agentes da polícia quando estes chegaram ao local, atirando pedras.

No incidente ficaram feridos, sem gravidade, cinco civis e um agente da PSP, que foram assistidos no Hospital Garcia de Orta, em Almada.

A PSP abriu um inquérito para “averiguação interna” sobre a “intervenção policial e todas as circunstâncias que a rodearam”, ocorrida hoje de manhã no bairro da Jamaica, concelho do Seixal, da qual resultaram, além dos feridos, um detido.

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