Nova associação ambientalista diz que falta vontade política para combater lixo marinho

24 Jan 2020 / 00:22 H.

A recém-criada associação ambientalista Cascaisea denunciou hoje que há falta de vontade política para combater o excesso de lixo marinho na costa portuguesa, o que tem adiado a resolução do problema.

“As entidades políticas não estão preocupadas com esta situação. Isto é um problema que parte a montante [...]. Para se resolver estas situações tem de se partir de cima”, defendeu o fundador da Cascaisea, Miguel Lacerda, em declarações à agência Lusa.

O ativista ambiental, mergulhador, velejador e coordenador do estudo “O Lixo marinho no litoral Oeste Sintra Cascais 2014-2019, decidiu criar esta associação para ajudar na preservação da vida dos oceanos “e, em particular, do mar de Cascais”.

À Lusa, Miguel Lacerda, considerou que as entidades políticas não estão preocupadas com o plástico no mar e alertou que, só em três quilómetros do litoral Oeste-Sintra-Cascais, são recolhidos mais 30 mil litros de plástico por ano.

Falando sobre o objetivo da Cascaisea, o fundador da associação explicou que pretende minimizar ou retardar uma catástrofe ambiental no mar.

“Esta associação vem para fazer mais barulho. Vamos mostrar estas realidades. Vamos mostrar através de estudos, de ações, que as coisas não estão a ir pelo caminho que deviam ir. Temos de demonstrar que as coisas não estão a dar a volta”, declarou.

Para exemplificar a poluição que se continua a fazer no mar, o ativista ambiental disse que os pescadores ainda usam esferovite, um dos plásticos que mais poluem os oceanos.

“Assim que a esferovite é mandada, o mar degrada-a num instante e rapidamente se transforma em microplásticos. Nem nós conseguimos contabilizar a quantidade de esferovite que existe nos oceanos”, frisou.

O coordenador do estudo “O lixo marinho no litoral Oeste Sintra Cascais 2014-2018” alertou também para o uso de alcatruzes sintéticos (pote de plástico) na pesca do polvo.

“Em Portugal ainda se usam alcatruzes de plástico na pesca do polvo”, disse Miguel Lacerda, aconselhando o uso de alcatruzes de barro para o efeito, uma vez que minimizam a poluição dos oceanos.

Para o fundador do Cascaisea, as redes sociais têm sido fundamentais para o debate da questão dos plásticos nos mares.

“Não tenho qualquer margem para dúvida que foram as redes sociais que acabaram por levantar esta questão dos plásticos e do lixo marinho nos oceanos”, salientou Miguel Lacerda, lembrando que “os biólogos já falam disto há muitos anos”.

O ativista ambiental salientou ainda que a poluição marinha por plásticos e derivados tem vindo a crescer de uma forma exponencial, representado já cerca de 60% a 80% do lixo marinho visível.

Referiu ainda que, na investigação “O lixo marinho no litoral Oeste Sintra Cascais 2014-2018”, conclui-se que, nos últimos seis anos, foram recolhidos mais de 90.170 litros de plásticos e derivados.

Criada em 2019, a Cascaisea vai ter a sua primeira ação pública oficial no sábado, com uma ação de limpeza de plásticos e derivados no Parque Natural Sintra-Cascais.