Indústria do vestuário e confecção alerta para “danos catastróficos” devido à falta de combustíveis

Lisboa /
17 Abr 2019 / 16:53 H.

A ANIVEC/APIV - Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção alertou hoje que a greve de motoristas de matérias perigosas “está a causar danos catastróficos” no sector e pode causar o encerramento de algumas empresas.

“O impacto negativo no sector do vestuário e na economia nacional está a causar danos catastróficos”, alertou hoje a ANIVEC/APIV em comunicado, em que “manifesta a sua maior preocupação perante os efeitos que estão a decorrer da greve dos motoristas de matérias perigosas”.

A ANIVEC/APIV acrescenta que a paralisação “acarreta o bloqueamento dos transportes dos trabalhadores e suas famílias, bem como o cumprimento dos prazos de entrega das encomendas, provocando nalguns casos a perda do cliente” e causando “incomensuráveis prejuízos ao sector do vestuário”.

A associação salienta ainda que o “bloqueio, a manter-se, certamente causará o encerramento de algumas empresas” e, nesse sentido, apela a “um entendimento rápido e sensato das partes envolvidas”.

A ANIVEC/APIV indica ainda que “os prejuízos desta greve são manifestos”, uma vez que “o sector do vestuário é por excelência um sector de trabalho intensivo, eminentemente exportador”, empregando mais de 110 mil trabalhadores, distribuídos por cerca de mais de cinco mil empresas, que na sua maioria -- cerca de 95%, de acordo com a associação --, empregam menos de 50 trabalhadores.

A greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

Na terça-feira, gerou-se a corrida aos postos de abastecimento de combustíveis, provocando o caos nas vias de trânsito.

A Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) informou hoje que não foi ainda retomado o abastecimento dos postos de combustível, apesar da requisição civil, e que já há marcas “praticamente” com a rede esgotada.

O primeiro-ministro admitiu hoje alargar os serviços mínimos e adiantou que o abastecimento de combustível está “inteiramente assegurado” para aeroportos, forças de segurança e emergência.

Na terça-feira, alegando o não cumprimento dos serviços mínimos decretados, o Governo avançou com a requisição civil, definindo que até quinta-feira os trabalhadores a requisitar devem corresponder “aos que se disponibilizem para assegurar funções em serviços mínimos e, na sua ausência ou insuficiência, os que constem da escala de serviço”.

No final da tarde de terça-feira, o Governo declarou a “situação de alerta” devido à greve, avançando com medidas excepcionais para garantir os abastecimentos e, numa reunião durante a noite com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e o sindicato, foram definidos os serviços mínimos.

Militares da GNR estão de prevenção em vários pontos do país para que os camiões com combustível possam abastecer e sair dos parques sem afectarem a circulação rodoviária.

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