Compostos das cianobactérias podem vir a ser utilizados no tratamento da obesidade

19 Abr 2019 / 04:12 H.

Um estudo do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), no Porto, revela que os compostos das cianobactérias marinhas podem vir a ser utilizados no tratamento da obesidade e de outras doenças relacionadas com o metabolismo de lípidos.

O estudo, intitulado ‘Chlorophyll Derivatives from Marine Cyanobacteria with Lipid-Reducing Activities’ e publicado ontem na revista científica Marine Drugs, avança que dois compostos presentes nas cianobactérias marinhas podem vir a ser “úteis no tratamento da obesidade ou doenças relacionadas”.

Em entrevista à agência Lusa, Ralph Urbatzka, investigador do CIIMAR e coordenador do projeto europeu Cyanobesity, explicou que apesar dos dois compostos serem derivados da clorofila das cianobactérias, apenas um “era conhecido” pela comunidade científica.

“Ambos são derivados da clorofila, mas o hydroxy-pheophytin a já é conhecido e está presente nos espinafres, couve e Spirulina, o hydroxy-pheofarnesin é totalmente novo”, referiu.

Depois de identificados, os dois derivados foram testados tanto em larvas de peixe-zebra como em adipócitos de ratinhos e demonstraram ter “capacidade para reduzir os lípidos neutros”.

Apesar das “fortes indicações de que os compostos têm impacto na redução dos lípidos neutros”, a investigação vai continuar, até porque são ainda necessários “vários ensaios toxicológicos” para permitir a introdução e, consequentemente, aprovação deste novo derivado em produtos de consumo humano.

À Lusa, Ralph Urbatzka adiantou que a equipa pretende, tendo em conta a forte presença do hydroxy-pheophytin a em diversos produtos de consumo humano, desenvolver nutracêuticos ou até ‘functional food’, uma vez que são “mais fáceis de introduzir no mercado do que os fármacos”.

“A presença de hydroxy-pheophytin a em materiais aprovados para o consumo humano, em particular na Spirulina, vai permitir o desenvolvimento de um novo nutracêutico para o combate de obesidade no futuro”, concluiu.

A investigação, desenvolvida no decurso do projeto europeu Cyanobesity que envolve instituições portuguesas, suecas, alemãs e islandesas, foi financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) no âmbito da ERA-NET Marine Biotechonology.

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