Cláudia Monteiro de Aguiar acusa Governo de não assumir responsabilidades no apoio às vítimas e autarquias
Cláudia Monteiro de Aguiar, que integra uma delegação do PPE a Portugal às regiões afectadas pelos incêndios florestais de 17 de Junho e de 15 de Outubro de 2017, acusou o Governo de António Costa de “abandonar as populações que mais sofreram com os incêndios”, que diz estarem hoje “revoltadas com a falta de apoios estatais”.
Acusou ainda o actual Governo de “reiteradamente se desresponsabilizar ao agora também remeter para as autarquias a gestão e manutenção das áreas florestais mais próximas das populações.” “Colocam o ónus do problema juntos dos autarcas e ‘lavam as mãos’ de um correcto planeamento e organização do território, cuja competência é do Governo.”
Sobre a possibilidade de ser criado um Mecanismo Europeu de Protecção Civil, Cláudia Monteiro de Aguiar garantiu o empenho dos eurodeputados portugueses nesse objectivo, mas também no sentido de apoiar a manutenção Política de Coesão no próximo Quadro Financeiro Plurianal. Para a Eurodeputada, “a União Europeia pode e deve ter um papel mais ativo no auxílio de situações de excepcional gravidade, que por essa razão, não conseguem ser combatidas apenas com os meios existentes nos Estados-Membros.”
Contudo, para Cláudia Monteiro de Aguiar, “uma maior intervenção europeia não dispensa o papel central dos governos nacionais, sobretudo no que respeita a medidas preventivas.” Para a Eurodeputada, “o que pudemos ontem e hoje observar foi o resultado de má gestão governativa, quando poderiam ter sido evitadas tantas vítimas mortais”
A delegação do Partido Popular Europeu começou a visita na quinta-feira, a convite da Comissão Parlamentar do Ambiente, chefiada pela Eurodeputada romena Adina-Ioana Valean, Presidente desta Comissão Parlamentar, e conta ainda com a participação dos Eurodeputados Nuno Melo, Sofia Ribeiro e José Inácio de Faria. Ao longo de dois dias os eurodeputados puderam consultar especialistas em fogos florestais, responsáveis autárquicos e as populações locais de alguns dos sítios mais devastados pelos incêndios florestais de 2017, que causaram a morte a 110 pessoas.
A delegação do PPE, ainda em Lisboa, pode encontrar-se com o Professor Francisco Rego, membro da Comissão Técnica de Análise do Incêndio de Pedrógão Grande e com os presidente e vice-presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Eduardo Oliveira e Sousa e António Gonçalves Ferreira.
Já em Pedrógão Grande puderam reunir com representantes da Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande e com a Associação de Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, bem como com o Professor Domingos Xavier Viegas, director do Centro de Estudos sobre Fogos Florestais, do Instituto para o Desenvolvimento da Universidade de Coimbra, que acompanhou toda a viagem com explicações pormenorizadas.
A missão que começou a visita à região centro na quinta-feira em Pedrógão Grande, passou ainda por Castanheira de Pera e Lousã e termina hoje na Marinha Grande.