‘Chef’ Rui Paula ganha segunda estrela Michelin com os olhos na terceira

20 Nov 2019 / 23:11 H.

O ‘chef’ português Rui Paula, que hoje recebeu a segunda estrela Michelin no seu restaurante “Casa de Chá da Boa Nova” (Leça da Palmeira), assume como objetivo a conquista da terceira estrela, distinção máxima do Guia Michelin.

O restaurante do Norte do país é o único em Portugal a ganhar duas estrelas (’cozinha excecional, merece o desvio’) na edição do próximo ano do Guia Michelin Espanha e Portugal, que foi apresentada hoje à noite em Sevilha.

“Vamos aprimorar mais algumas coisas de serviço, abrir a fogo garrafas todas as noites, uns pratos em que se trabalha mais a frescura no momento, que é para trabalhar para a terceira”, disse aos jornalistas, momentos após ter subido ao palco para vestir a jaleca ostentando as duas estrelas.

“Se trabalharmos muito bem para a terceira, conseguimos a segunda”, sustentou, reconhecendo que, desde que ganhou a primeira estrela (’cozinha de grande nível, compensa parar’), há três anos, percebeu logo que queria mais: “Não tenho problema nenhum em assumir isso”.

O caminho até aqui passou por algumas alterações no serviço e “trabalhar o produto cada vez mais fresco”, bem como aprofundar o seu conceito de servir apenas peixe e marisco.

“Para conseguirmos mais, temos de ter as equipas cada vez mais fortalecidas - atravessamos um momento em que cada vez abrem mais negócios e as equipas são voláteis, portanto exige mais de nós”, comentou, elegendo o trabalho da equipa como fundamental para alcançar esta distinção.

O objetivo final é garantir aos clientes “uma experiência diferente”.

Sobre o que vai mudar, agora que ganhou a segunda estrela, Rui Paula foi perentório: “Não vou aumentar os preços, aviso já. Eu trabalhei sempre de uma maneira que eu acho que é justa.”

A edição do Guia Michelin ibérico de 2020 atribuiu ainda a primeira estrela aos restaurantes “Epur” (Lisboa, ‘chef’ Vincent Farges), “Fifty Seconds by Martín Berasategui” (Lisboa, ‘chef’ Filipe Carvalho), “Mesa de Lemos” (Viseu, ‘chef’ Diogo Rocha) e “Vistas” (Vila Nova de Cacela, ‘chef’ Rui Silvestre).

Por outro lado, três restaurantes portugueses perdem em 2020 a estrela que detinham: “L’And Vineyards” (Montemor-o-Novo, ‘chef’ José Miguel Tapadejo, após a saída de Miguel Laffan), Willie’s (Vilamoura, ‘chef’ Willie Wurguer) e “Henrique Leis” (Almancil, ‘chef’ Henrique Leis).

O ‘guia vermelho’, comparado aos Óscares da gastronomia, continua a não atribuir nenhuma classificação máxima a Portugal (’três estrelas, uma cozinha única, justifica a viagem’).

No total, Portugal sobe para sete o número de restaurantes com duas estrelas e mantém 20 estabelecimentos com uma estrela.

A gala de apresentação do Guia Michelin Espanha e Portugal 2020 decorreu hoje à noite em Sevilha, marcando também os 110 anos do lançamento do guia ibérico.

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