Mística?

10 Nov 2019 / 02:00 H.

Será saudosismo? Não se lobriga, pertence ao passado enterrado pela Renovação. Como? Sem experiências, vivências e traquejo, numa parva exaltação de encantamento aos que usufruem do que vem de trás até esgotar? Com tiques exacerbados de Povo Superior em “bullying” insolente, pleno de um chico-espertismo que mata quem traz votos e acarinha inúteis? Sem justiça nem lealdade e com vitórias plenas de desrespeito pelo próximo?

As internas foram um sonho para salvar um partido cristalizado sobre os mesmos, acabou no uso de uma palavra como engodo, entendida por muitos como mudança de práxis, desígnios e paradigmas mas acabou num calçar de pantufas, ainda quentes, para mais do mesmo, senão pior. As internas foram um flagelo, 2015 foi quimera e 2019 incrementa o erro na utopia da coligação. Todos são gozados pela sua condescendência responsável, até Jardim. A composição do governo, assente na plateia dos comícios e no regresso de flops, traduz-se num GR sem lua-de-mel porque rodou e não mudou, cresceu com inúteis por tachismo e conveniências. O sistema mantém os dóceis, agora desambientados dos seus conhecimentos, vão produzir sucesso? A quantidade descomunal, entre as equipas do passado e agora, não provam incompetência? A sociedade civil só serve para fazer número porque só há espaço para as clientelas? Quase todos sabem que isto não vai bem mas toleram enquanto dá para si, reflictam sobre o egoísmo que mata o colectivo e como estão vendidos. Tudo é uma imensa ficção, onde andam os melhores para governar?

Estamos na era do “Pato Bravo Superior”, onde a emancipação Autonómica se ajoelhou ao poder económico e financeiro, os seus políticos passaram de bípedes a rastejantes. Se no PSD está contado, no CDS contado está ao fim do mês e no PS contam que de Lisboa venha a cartilha mastigada. Mística? Se Albuquerque trouxe o PSD à pré-história política, o PS sem estrutura vive da saturação do eleitor, anda no “paleiolítico” inferior, nómadas, a caçar na sorte do destino sem saber como se organiza um partido político. Os egos não deixam e só reconhecem o mais feroz com contactos no continente. O PS que não se pacifica, organiza ou obtém uma vitória em circunstâncias perfeitas, saberia governar ou imitava a Renovação? Mística? Cafôfo, líder do PS, vai valer menos do que o independente quando tem a responsabilidade de honrar o voto útil que lhe foi concedido pela anulação da esquerda mais dura, se não o fizer, tem esses votos perdidos a par dos desavindos do PSD que nunca votariam PS. A luta Zen atraiçoa o desejo secreto por trás do politicamente correcto do eleitorado que quer sangue.

A raposa de Lisboa, mais esperta do que verbaliza, sabe que vem aí um comissário a fio de espada para o desafio de uma crise económica no horizonte, a par dos desafios da crise climática e oferece de forma “virtuosa” ligação directa à UE. Dispensa mais 4 anos de culpas quando conhece perfeitamente a pobreza galopante, o Turismo a pique, a incapacidade de pagar dívida e de pedir emprestado para o seu serviço, um CINM sempre em risco, meses de crescimento, estatisticamente distribuído por todos mas canalizando a riqueza regional para meia dúzia. Laivos de actividade económica suportada pelo movimento dos regressados luso-venezuelanos que, ao perceberem que somos 250.000, sem poder de compra e que isto não rende como na Venezuela, partirão. Se a renovação, habituada a mentir e a gerar clivagens, os tratar como faz aos antigos do seu partido, não terão a resignação silenciosa e medrosa.

A experiência que o CDS vai adquirir com o “esquema” governativo não reverterá em seu favor, deixou de ser alternativa. Em vez de esperar e capitalizar com a queda do PSD, o CDS foi atraiçoado pela ambição pessoal de alguns que levarão o partido, entre cambalhotas e piruetas, para o mesmo destino do PSD. Quando o CDS sentir mais o ferry, “pedras”, obras, Ajustes Directos, índices de construção, contratos blindados, monopólios, Saúde, estúpidos em lugares de decisão, etc, mesmo com vontade férrea de governar bem e brilhar, perceberá que está maniatado pela teia dos monstros que a Madeira Nova criou e que mantém o Governo refém dos esquemas.

Estamos na era da mentira, do expediente tornado governação, da materialização do convencimento, todos usados para tapar a falta de resultados com as infindáveis camadas de assessores de imprensa e jornalistas “vendidos” como “Firewall” de contra-informação. A deontologia?

A cereja no topo do bolo está na concentração de tanto poder em Calado. Funciona como um “ditador”, se cair, arrasta o regime, é o canto do cisne. Se por um lado a concentração protege-o politicamente, por outro é possível aniquilar todo o GR com um só tiro mostrando “casos de polícia”. Calado, com tanta ambição, ainda não percebeu que responderá pelo todo acumulado do quero, mando e posso e as respectivas impunidades durante décadas. As pedras são mais do que uma suspeita, é um “modus operandi” já displicente por contínua impunidade. Chegar e pactuar torna-o único cúmplice. Albuquerque, sem poder é inimputável, prova da ratice da escola que matou. Caindo Calado é pior do que cair Albuquerque, mas o homem da fotografia pagará caro por não ter, conscientemente e por projecto pessoal, os melhores ao seu lado. Sem contraditório é um desvario.

A Renovação enfrentará um partido em convulsão com muitos carrascos (para a gândara inculta), executores (para o executivo na alta Justiça), algozes (na tribo) e verdugos (como em Espanha, nem bons ventos nem bons casamentos). A direita salvou-se por agora mas o colapso tem data marcada, de mão dada. Julgam somar votos mas anulam, já há arrependidos por votar e acreditar. Os políticos fantasiam num mundo de conspirações e ambições e o povo pergunta para que serve a política e a democracia capturada por tantos interesses, ficando os seus no fim da lista. A população embirra com a política pouco séria e claramente interesseira de todos os “bons rapazes e raparigas” da cena política madeirense, da direita à esquerda, passando pelo centro onde anda tudo desacreditado. Aguardam serenamente por uma alternativa com o foco na sociedade real e ela existe. Mística? Será que falavam da Fox/Disney?

Carlos Vares

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