A educação... e o resto!

A educação nos jovens tem de ser feita, de modo a lhes atribuir responsabilidades

20 Jun 2019 / 02:00 H.

Para falar deste assunto, começo com uma história, concerteza verídica, passada nos lados da “Big Aple”, ou melhor, nos “States”: - Um individuo estaciona o seu carro, normalmente, junto ao passeio pedonal numa zona movimentada da Bronx, N.Y.C., vai dar uma volta pela área ... e passado algum tempo, quando volta, a sua viatura foi totalmente roubada e vandalizada! Na mesma altura, numa zona de vivendas luxuosas em Beverly Hills, alguém pára um carro, deixando-o estacionado e fechado, durante dois dias. Ao terceiro dia, voluntáriamente, é partido um dos vidros mais pequenos da viatura; algumas horas depois deste acontecimento, esse carro é também saqueado e violentado!

Para além das conclusões que voçês podem ou querem tirar desta história, serve a mesma, para perceber aquilo que está a acontecer, nos “States”, em Paris, no Porto, no Funchal, ... aliás, em todo o mundo! A hora, o modo, a necessidade ou a obrigação de educar, mudou, alterou-se! A hora e a forma de educar é diferente se for uma criança, ou se for um jovem ou então um adulto! Os “timings” da educação variam consoante as idades, se se quiser mais tarde, poder extrair os seus bons resultados! Quem não aprendeu em criança a comer com a bôca fechada, vai passar a vida toda a mastigar com a bôca aberta! Nada de grave, dirão alguns! Nas crianças, a educação tem uma base formativa, para construir um estatuto de participação e convivência social, individual ou colectivo, com regras, umas flexíveis, outras menos flexíveis, neste caso deveras importantes, para a sua natural segurança. Educacionalmente ou culturalmente falando, os promotores da educação ... cada um dá o que bem sabe e pode dar, sejam os pais, os tios, os avós, os vizinhos ou os professores. A educação nos jovens tem de ser feita, de modo a lhes atribuir responsabilidades, mostrando a lógica e o sentido dessa necessidade. Educar o adulto, o adulto instalado, é bem mais difícil e condicionante ... dependendo de tudo aquilo que ele já adquiriu, especialmente adquirido com deficiência ou com erro. O processo educativo, quando ligado a uma actividade desportiva - porque existem regras específicas na prática desportiva, de acordo com a modalidade - torna-se mais evidente, mais lógico e devidamente justificado, evitando qualquer possível contestação. Porque aí existem regras, que não sendo cumpridas, são penalizadas de imediato. Num serviço militar - que devia ser obrigatório para todos - quando bem realizado e executado tem um carácter formativo muito importante, ao mesmo tempo educacional e disciplinador. Porque as regras desta actividade militarizada exige o cumprimento do estatuto vigente no espaço e regime de trabalho! Nos jovens e nos adultos, deve haver a introdução duma forma de disciplina, portanto, de regras de actuação, de posicionamento, ... que nada têm a ver com racismo ou com segregação. A disciplina, na dose indicada e de forma justificada, serve de barreira e de limitação para evitar e inibir acidentes, desordens, desiquilíbrios e todo o tipo de actuações disparatadas, maiores ou menores! Não se pode falar em direitos, sem também falar em deveres! Porque o direito de um, acaba, quando interfere com o direito do outro! Certo?

E vamos agora falar de números relativos á educação ... ou á falta dela: 66% dos portugueses, portanto 2/3 da população, não lava as mãos quando vai á casa de banho! Assim, 2/3 dos portugueses, anda na rua com as suas ricas mãozinhas, sujinhas de toda a variedade de bicharada - bactérias , fungos, virus - existente nos sanitários públicos ou nas casas de banho, por muito asseadas que elas estejam! Propagando essa bicharada aos amigos e conhecidos, quando lhes tocam com a mão ou quando os cumprimentam! Mais números: - 2/3 da população fumadora - representando 1/3 da população total - atira as beatas para o chão ... com a maior das naturalidades, ... talvez por acharem que as Câmaras e Juntas de Freguesia, deviam instalar cinzeiros nos passeios públicos a cada metro e meio de terreno! A prova de que tudo isto acontece - sem que ninguém ligue pêvea - é o facto de existirem informações em placards, nos sanitários públicos, nos hotéis, nos aviões, nos centros comerciais, com informações, destacadas e explicativas, apresentando instruções e aconselhamentos ... lavar sempre as mãos, deitar o papel na papeleira ... não deitar papel na sanita, separar o tipo lixo ... masculino ou feminino, no recipiente adequado ...deitar o lixo no lixo e apagar o cigarro totalmente, antes de colocar no cinzeiro! São tudo coisas tão elementares que as pessoas deviam saber e principalmente fazer, desde os tempos de criança e que no final, representam o “maravilhoso número” de 2/3 da população! O slogan ou cartaz “DEITE O LIXO NO LIXO”, demonstra muito bem, como um problema tão básico ainda não foi resolvido, ... demonstrando a atitude anti-higiénica ostensiva da população, distribuindo substâncias tóxicas e contaminantes, por tudo o que é sítio, cuspindo para o chão, também com muita naturalidade ... assobiando para o ar ... se alguém lhes manda uma “bôca” ou chama á atenção. Recentemente, bem mais típico e trivial, são aquelas pessoas, que desde o último ano passaram a ser “amigas” dos animais ... mas, nos seus salutares passeios, esquecem o papel higiénico e o saco plástico em casa, ... e quando o “Yorkshire” ou o “Grand Danois” resolvem fazer cocó no passeio, sacam imediatamente do telemóvel, para disfarçar uma conversa “muito importante”! Eduquem primeiro as pessoas, para depois elas saberem educar os animais! Tudo isto são factos do dia a dia, frequentes, que são contornáveis e evitáveis se houver mais cultura educacional ... em criança, no jovem e com muita pena nossa, ainda tem de haver também e muito mais, no adulto.

E reparando bem, estamos metidos num ciclo vicioso: o pai e a mãe não aprenderam em crianças e assim não sabem ensinar aos filhos, ... ou então não têm tempo!!! ... os professores têm muito trabalho para ensinar e resta pouco tempo para educar ... havendo neste momento esta lacuna educacional nas crianças e jovens, que os irá acompanhar pela vida fora.

E assim vamos vivendo, nesta espiral de desrespeito, de indisciplina, também de indiferença! Indiferença populacional generalizada e indiferença assumida da segurança pública! Volto a referir a minha preocupação, de um qualquer sem-abrigo abandonado na rua, poder ser um potencial desencadeador de um incêndio, num dos muitos prédios abandonados da nossa cidade! Ninguém denuncia ninguém, ... porque a denúncia ainda é tida e reconhecida como uma sequela psíquica, imputável aos tempos do colonialismo ou da anti-democracia! Quando a denúncia devia ser automática e obrigatória! Os erros corrigem-se denunciando-os! Mas, são os matutinos, porventura sem grande peso específico, que anónimamente vão denunciando com fotografias, os carros em cima dos passeios, os transportes de pesados com excesso de carga, as manobras em excesso de velocidade das motorizadas, todas essas situações caricatas de má educação, de indisciplina e de negligência, dispersas pelas cidades da ilha.

E como ninguém cumpre com nada e como ninguém liga, nem se queixa ... as autoridades vão passando ao lado ... sem nada para fazer!

A não ser que vandalizem um carro bem estacionado e se exiba o vídeo com as “trombas” dos agressores!

José Manuel Morna Ramos
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