Trump apela a militares venezuelanos para deixarem de apoiar Maduro

19 Mar 2019 / 20:56 H.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, apelou hoje em Washington aos militares venezuelanos que deixem de apoiar o regime de Nicolás Maduro, afirmando que este é “uma marioneta de Cuba”.

“Pedimos aos militares venezuelanos que acabem com o seu apoio a Maduro, que não passa de uma marioneta de Cuba, e que libertem o seu povo”, disse o governante dos EUA numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

Questionado por jornalistas acerca de prazos para a resolução da crise venezuelana, Trump afirmou que “em algum ponto as coisas vão mudar” e que poderá ainda aplicar duras sanções.

“Ninguém me falou em nenhum prazo especifico. Em algum ponto as coisas vão mudar. Ainda não impusemos as sanções mais duras, mas podemos fazer isso a qualquer momento (...) Podemos ser muito mais duros se nós quisermos. Não queremos nada além de cuidar dos venezuelanos que estão a passar fome a morrer nas ruas”, declarou o Presidente dos Estados Unidos.

Também Jair Bolsonaro se manifestou acerca da situação na Venezuela, afirmando que, em conjunto com os Estados Unidos, pretende levar a liberdade e democracia àquele país.

“O Brasil estará a postos para cumprir a missão de levar a liberdade e a democracia para aquele país que há pouco [tempo] era um dos mais ricos da América do Sul e hoje o seu povo passa fome, sofre com a violência e com falta de medicamentos. É uma coisa terrível que acontece lá. Temos que somar esforços para colocar um ponto final nesta questão que é ultrajante para todos”, frisou.

Quando questionado acerca de uma eventual conversa com Trump, sobre a possibilidade de o Brasil autorizar a presença de tropas dos Estados Unidos no seu território no caso de uma intervenção bélica na Venezuela, Bolsonaro não negou nem confirmou a hipótese.

“Há certas questões que se divulgarmos deixam de ser estratégia. Assim sendo, estas questões reservadas não poderão tornar-se públicas. É uma questão de estratégia. Tudo que tratarmos aqui será honrado, mas certas informações se, por ventura, vierem à mesa, não poderão ser debatidas de forma publica”, disse o Presidente brasileiro.

Criticando a Venezuela como símbolo das correntes de esquerda, Bolsonaro lembrou que ele próprio venceu as eleições no Brasil, da mesma forma que mais líderes de direita também venceram as eleições em outros países da América do Sul.

“O restabelecimento da democracia na Venezuela é do interesse comum dos nossos Governos. O regime ditatorial venezuelano faz parte de uma coligação internacional conhecida como fórum de São Paulo, que esteve próximo de conquistar o poder em toda a América Latina. Pela via democrática livramo-nos deste projeto no Brasil”, afirmou.

“A fronteira da Venezuela com o Brasil foi fechada há pouco tempo, não para impedir que os brasileiros que apoiam o socialismo passassem para lá, mas para impedir que venezuelanos que apoiam a democracia viessem para o Brasil”, acrescentou Bolsonaro.

Bolsonaro está em visita oficial aos Estados Unidos desde o passado domingo e tem previsto regressar ao Brasil ainda hoje.

O encontro entre os dois presidentes é considerado um primeiro passo para uma reconfiguração das relações entre Washington e Brasília.

Jair Bolsonaro admitiu que escolheu os Estados Unidos como o primeiro destino para uma visita oficial desde que assumiu a Presidência do Brasil, em 01 de janeiro, para deixar claro o desejo do seu Governo de se aproximar e alinhar-se as políticas de Donald Trump, de quem afirma ser um confesso admirador.