Tribunal turco condena 24 pessoas a prisão perpétua por envolvimento no golpe de 2016

21 Jun 2019 / 03:13 H.

Um tribunal turco condenou hoje a prisão perpétua 24 pessoas, entre os quais um antigo chefe da Força Aérea e um ex-assessor do Presidente Recep Erdogan, num dos principais julgamentos do golpe fracassado de 2016.

Entre os condenados, 17 receberam um cúmulo jurídico de 141 penas de prisão perpétua agravadas por “tentativa de perturbação da ordem constitucional”, o assassinato de 139 pessoas e a “tentativa de assassinar o Presidente”, noticiou a agência estatal Anadolu.

Ao todo, 224 pessoas, incluindo 20 ex-generais, foram julgados, sendo que outras sentenças devem surgir durante o dia de hoje.

O ex-chefe da Força Aérea Akin Öztürk e o ex-assessor de campo de Erdogan Ali Yazici estão entre os condenados a prisão perpétua, segundo a Anadolu.

Segundo a agência, os casos de 13 acusados, incluindo o de Fethullah Gülen, acusado por Ancara de ser o mentor do golpe fracassado, foram dissociados deste julgamento.

O ministro da Justiça turco, Abdülhamit Gül, saudou estas condenações, elogiando a justiça “exemplar” da Turquia. “

A audiência foi realizada na prisão de Sincan, onde um enorme salão foi construído especificamente para acomodar os julgamentos relacionados ao golpe fracassado.

A Turquia foi alvo de uma tentativa de golpe de Estado a 15 de julho de 2016, tendo a investida sido supostamente orquestrada por uma fação pertencente às Forças Armadas Turcas.

Apesar de a tentativa não ter atingido a sua finalidade, várias propriedades e edifícios ficaram danificados, mais de mil pessoas ficaram feridas e outras centenas morreram.

Em Ancara, o Parlamento Nacional e o Palácio Presidencial foram bombardeados, tendo sido disparados tiros perto dos principais aeroportos de Ancara e Istambul.

As reações, tanto em nível nacional como internacional, foram amplamente desfavoráveis à tentativa de golpe. Os principais partidos de oposição condenaram o movimento, enquanto vários líderes internacionais, notadamente da União Europeia, e a NATO pediram respeito às instituições democráticas na Turquia e aos seus representantes eleitos.

A primeira reação oficial veio do primeiro-ministro Binali Yildirim, que, um dia depois da tentativa golpista, declarou aos meios de comunicação que a situação estava “completamente sob controle”.

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