Theresa May vai pedir “sangue frio” aos deputados enquanto negoceia Brexit com Bruxelas

12 Fev 2019 / 11:29 H.

A primeira-ministra britânica vai pedir hoje aos deputados para “manterem o sangue frio” e para lhe darem mais tempo para conseguir concessões da União Europeia que permitam aprovar um acordo de saída antes de 29 de março.

“As negociações estão numa fase crucial. Precisamos todos de manter o sangue frio para conseguir as alterações que esta Câmara pediu e concretizar o ‘Brexit’ a tempo”, vai dizer Theresa May esta tarde na Câmara dos Comuns, de acordo com excertos do discurso divulgados antecipadamente.

A primeira-ministra vai fazer uma declaração para atualizar o parlamento sobre o andamento das negociações com Bruxelas desde o voto a 29 de janeiro, quando uma maioria de deputados votou a favor de uma proposta para substituir a solução para a Irlanda do Norte por “disposições alternativas”.

A declaração, um dia antes do que tinha inicialmente prometido, vai servir como base a um novo debate e votação anunciados para quinta-feira sobre o processo, quando os deputados britânicos poderão avançar com novas propostas para influenciar a ação do governo.

Hoje, numa entrevista à rádio BBC 4, a ministra dos Assuntos Parlamentares, Andrea Leadsom, garantiu que “não se trata de gastar tempo”.

“O que a primeira-ministra está a tentar fazer é resolver as questões relacionadas com a ‘backstop’, que é o que o parlamento disse claramente que permitiria ao parlamento apoiar o acordo dela. O que estamos a tentar fazer é garantir um bom acordo que funcione para o Reino Unido e para a União Europeia”, acrescentou.

A primeira-ministra manteve encontros com líderes europeus esta semana para negociar uma alternativa à solução de salvaguarda, conhecida como ‘backstop’, que está no Acordo de Saída negociado entre o Governo britânico e Bruxelas para evitar uma fronteira física entre a província britânica da Irlanda do Norte e a vizinha europeia Irlanda.

O mecanismo só será ativado se não estiver concluído um novo acordo comercial após o período de transição, no final de 2020, mantendo o Reino Unido na união aduaneira europeia e a Irlanda do Norte sujeita a certas regras do mercado único, mas conservadores eurocéticos e o Partido Democrata Unionista (DUP) receiam que fique em vigor por tempo indeterminado.

Leadsom não adiantou quando pretende o Governo submeter o Acordo de novo ao parlamento para ser votado, condição necessária para ser ratificado pelo Parlamento Europeu, prometendo apenas que será “o mais depressa possível”.

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