Quase quatro em cada dez ruandeses são pobres, apesar do crescimento económico

08 Dez 2018 / 06:58 H.

Quase quatro em cada dez ruandeses estão em situação de pobreza, segundo um estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística do Ruanda (NISR), país que registou um crescimento de 8,9% entre 2017 e 2018.

Segundo os dados presentes no Quinto Inquérito Integrado às Condições de Vida de Agregados Familiares (EICV), consultado hoje pela Lusa, 38,2% dos cidadãos do Ruanda estavam em situação de pobreza no período analisado pelo NISR, entre os meses de outubro de 2016 e 2017.

Esta taxa verifica uma ligeira melhoria face aos números do EICV anterior - respeitante ao período de 2013/2014 -, que registou níveis de pobreza de 39,1%.

Segundo o NISR, as áreas rurais são as principais afetadas, com cerca de 43,1% da população a encontrar-se nesta situação.

Por outro lado, nas zonas urbanas esta taxa alcançou os 15,8%.

A percentagem de ruandeses em situação de pobreza extrema também diminuiu, com o NISR assinalado uma descida de 16,3%, no EICV4, para 16%.

Também a pobreza extrema está mais representada nas zonas rurais, com a situação a afetar 18,1% desta população.

Nas zonas urbanas, a taxa de pobreza extrema verificou um aumento de 0,4%, situando-se agora nos 5,9%.

No relatório anual do banco central do Ruanda, consultado pela Lusa em novembro, a instituição situava o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ruandês em 8,9% entre julho de 2017 e junho de 2018.

Estes resultados representam uma melhoria de 3,4% face ao período homólogo anterior.

Segundo o relatório do Banco Nacional do Ruanda sobre o ano fiscal (período de julho de 2017 a junho de 2018), os setores agrícola e industrial registaram um crescimento de 8%, ao passo que o setor dos serviços cresceu 10%.

Segundo o relatório, a inflação no país diminuiu dos 6,8% registados no período anterior, para 2,3%.

Também o défice comercial reduziu no último ano fiscal, com o banco central do Ruanda a registar uma quebra de 11,7%.

Entre julho de 2017 e junho de 2018, o défice comercial foi de 1.258 milhões de dólares (1.118 milhões de euros), um valor inferior aos 1.425 milhões de dólares (1.267 milhões de euros) registados no exercício fiscal anterior.

O Ruanda continua marcado pelo genocídio de 1994, que matou mais de 800.000 pessoas, essencialmente da minoria tutsi.

Recentemente, o país tem tentado dissociar-se dessa imagem, promovendo vários setores, entre os quais o turismo.

Em maio, o Governo do Ruanda assinou um acordo avaliado em 30 milhões de libras (cerca de 34,3 milhões de euros) para patrocinar o clube de futebol inglês Arsenal.