Ordem dos Arquitectos apela a “inteligência e sensibilidade” na recuperação de Notre-Dame

Paris /
16 Abr 2019 / 14:31 H.

O presidente da Ordem dos Arquitectos, José Manuel Pedreirinho, sublinhou hoje a necessidade de “inteligência e sensibilidade” para a futura recuperação da catedral de Notre Dame, em Paris, danificada por um incêndio na segunda-feira.

Num comunicado enviado à agência Lusa, o presidente da ordem considera que a única certeza que se mantém, após o trágico sinistro, “numa época de dúvidas mais do que de certezas”, é se “continuará a ser o magnífico exemplar de arquitectura que conhecemos”.

O incêndio na catedral de Notre-Dame, um dos edifícios icónicos de Paris e da arte gótica, que começou ao fim da tarde de segunda-feira, foi declarado extinto pelas autoridades francesas, pouco antes das 10:00 (09:00 em Lisboa) de hoje.

Uma destruição “que nos responsabiliza agora a pensar o que fazer e como fazer. Com inteligência e sensibilidade para que Notre Dame de Paris continue a ser, na sobreposição de todos os que ao longo dos séculos nela deixaram o testemunho das suas capacidades artísticas, a manifestação e o símbolo de uma cultura: francesa, europeia e de toda a humanidade”.

“Certezas, apenas uma: Notre-Dame continuará a ser o magnífico exemplar de arquitetura que conhecemos, e que desde o início do século XII ocupa na ilha onde nasceu a cidade, no local de outras duas igrejas que ali existiam antes”, sustenta, no comunicado.

Para José Manuel Pedreirinho, “não estamos em época de substituições, antes de sobreposições e de complexidades”.

“Notre-Dame é uma notável obra de arquitectura. Um daqueles edifícios onde se sintetiza o que era e é um testemunho da história da humanidade. Era, porque ao longo dos seus mais de oito séculos de vida foi sempre o repositório dos conhecimentos de cada época que nela se manifestaram. É ainda, porque toda a destruição que agora a atingiu é mais um testemunho, mais uma ferida numa história feita de muitas feridas”, aponta.

Para o presidente da Ordem dos Arquitectos, “a grande diferença é que agora assistimos em todo o mundo, e em direto, à destruição destas obras e, também por isso, estas destruições se tornam, contraditoriamente, tão marcantes quanto banalizadas”.

O ministro francês da Cultura, Frank Riester, veio garantir hoje que ficou a salvo o tesouro da Catedral de Notre-Dame.

Numa entrevista à radio France Inter, o responsável indicou que as relíquias do tesouro, nomeadamente a coroa de espinhos que os cristãos acreditam ter sido usada por Jesus Cristo na crucificação, e a túnica de São Luís, foram resgatadas, e “estão seguras na Câmara Municipal” de Paris.

No entanto, ainda se desconhece a extensão do impacto do sinistro nos bens patrimoniais, não apenas das chamas, mas também do fumo, da água atirada pelos bombeiros e da queda dos materiais pesados.

O incêndio, que demorou cerca de 15 horas até ser extinto, começou na segunda-feira, cerca das 18:50 locais (17:50 em Portugal).

A Procuradoria de Paris disse que os investigadores estavam a considerar o incêndio como um acidente.

No local, o Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o pior tinha sido evitado e prometeu que a catedral do século XII será reconstruída.

A tragédia de Notre-Dame gerou mensagens de pesar e de solidariedade de chefes de Estado e de Governo de vários países, incluindo Portugal, bem como do Vaticano e da ONU.

“Majestoso e sublime edifício”, como escreveu em 1831 o escritor francês Victor Hugo no seu romance “Notre-Dame de Paris”, a catedral foi construída em 1163 e iniciou a função religiosa em 1182.