Novas manifestações na Índia contra lei que facilita cidadania a refugiados

Índia /
15 Dez 2019 / 02:00 H.

Novas manifestações tiveram hoje lugar na Índia contra a lei que facilita a obtenção de nacionalidade indiana por refugiados desde que não sejam muçulmanos, enquanto Londres e Washington desaconselham viagens para o nordeste do país, epicentro da contestação.

Vários milhares de pessoas concentraram-se hoje em Nova Deli e apelaram ao Governo do primeiro-ministro Narendra Modi a renunciar a esta lei que, para os seus opositores, “dividirá” o país secular “com critérios religiosos”.

A alteração modifica a Lei da Cidadania de 1955 para permitir que imigrantes hindus, sikh, budistas, jainistas, parses e cristãos originários do Afeganistão, Bangladesh e Paquistão que tenham ido para o país antes de 2015, possam obter a cidadania indiana.

Ou seja, a nova lei facilita a atribuição da cidadania indiana aos refugiados daqueles países, com a condição que eles não sejam muçulmanos.

As manifestações foram marcadas por episódios de violência no Estado de Bengala ocidental, onde pelo menos 20 autocarros e duas estações de transportes foram incendiadas. Pneus em chamas foram atirados e usados para bloquear estradas pelos manifestantes.

Em Guwahati, Assam (um Estado com um profundo sentimento anti-imigrantes), onde na quinta-feira a polícia abriu fogo contra uma multidão de manifestantes, provocando a morte de duas pessoas e ferindo 26, várias centenas assistiram ao funeral de uma das vítimas, Sam Stafford, 18 anos, na sexta-feira.

“Acompanhámos as notícias o dia inteiro na televisão, mas o meu sobrinho saiu de casa à noite. Pedimos que não fosse, mas ele foi lá com os seus amigos”, contou à AFP a tia do estudante, Julie Stafford.

Oitenta e cinco pessoas foram detidas durante as manifestações, disse hoje o chefe da polícia de Assam, Bhaskar Jyoti Mahanta, em declarações à agência de notícias Press Trust of India.

Perante a possibilidade de novos protestos, as autoridades prolongaram até segunda-feira o corte de Internet em Assam.

Na sexta-feira, o Governo do Japão anunciou o adiamento da viagem à Índia do primeiro-ministro, Shinzo Abe, devido à intensificação dos protestos em alguns pontos do país que previa visitar.

A oposição e as organizações de defesa dos direitos humanos apontam que esta lei faz parte de um programa nacionalista de Modi que visa marginalizar os 200 milhões de indianos muçulmanos.

O primeiro-ministro português, António Costa, desloca-se a Nova Deli na próxima quinta-feira, numa curta visita que inclui um encontro de trabalho com o chefe do Governo da Índia, Narendra Modi, tendo em vista o aprofundamento das relações bilaterais.

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