Menina morre em valeta em Díli, chuvas provocam cheias e centenas de desalojados

23 Jan 2020 / 17:06 H.

Uma menina morreu hoje afogada depois de cair numa valeta de drenagem no centro da capital timorense, depois de dois dias de chuvas intensas terem provocado centenas de desalojados e causado danos a muitas casas.

Fonte do Bombeiros Nacionais confirmou à Lusa que a menina, residente em Becora e de idade desconhecida, foi retirada da valeta de drenagem por bombeiros e elementos da comunidade local, no bairro de Audian.

“A menina ainda foi levada para o Hospital Guido Valadares, mas infelizmente não se conseguiu salvar”, disse a fonte.

Chuvas intensas que têm atingido a região de Díli desde a madrugada de quarta-feira provocaram cheias em várias zonas da capital, com centenas de desalojados.

Imagens de acumulações de água em várias zonas da cidade e testemunhos de lixo e detritos, incluindo humanos, espalhados multiplicaram-se nas últimas 24 horas em vídeos e fotografias nas redes sociais.

O Governo está já a preparar apoio de emergência para as famílias afectadas pelas cheias, confirmaram à Lusa fontes do executivo.

O acumular de lixo em várias valetas, o estado degradado de muitas das habitações rudimentares e a proliferação de construções ilegais em várias zonas da cidade, têm contribuído para as cheias em muitos locais.

Zonas que eram outrora desabitadas, incluindo zonas que serviram para acolher águas, estão hoje dominadas por construções privadas, com a população da capital a crescer significativamente nos últimos anos.

O Governo timorense levou a cabo nos últimos anos obras de melhoria do sistema de drenagem, mas o acumular de lixo, especialmente plástico, insuficiente manutenção e limpeza, agravam a situação em alturas de chuvas intensas.

Construções ilegais em algumas zonas forçou igualmente o desvio de ribeiras e riachos que surgem apenas na época das chuvas, causando deslizes de terra que contribuem para bloquear a drenagem.

Na zona marítima da cidade muitos dos locais de saída das ribeiras estão assoreados, o que provoca, muitas vezes, inundações.