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Jornalistas obrigados a pedir autorização de trabalho antes de entrada na Venezuela

Pedido deve ser feito no mínimo 30 dias úteis antes da data de chegada ao país

Foto EPA/Miguel Gutiérrez
Foto EPA/Miguel Gutiérrez

Os jornalistas estrangeiros devem pedir uma “autorização de trabalho”, antes de viajarem para a Venezuela para a cobertura noticiosa dos atuais acontecimentos, anunciou hoje o ministro das Relações Exteriores venezuelano.

“Alguns jornalistas estrangeiros entraram no país irregularmente, sem um pedido prévio da autorização de trabalho nos nossos consulados”, explicou Jorge Arreaza, na conta na rede social Twitter.

Segundo o ministro venezuelano, “vários [jornalistas] têm tentado aceder ao palácio presidencial sem acreditação”.

“Como em qualquer país do mundo, os jornalistas não podem atribuir-se uma acreditação. Os meios [de comunicação] e agências internacionais sabem que, para evitar inconvenientes desnecessários, devem realizar os trâmites indispensáveis nos consulados, antes de viajarem para o país”, explicou.

De acordo com a página digital do Ministério de Comunicação e Informação da Venezuela, “os profissionais da imprensa estrangeira que viajem para a Venezuela para realizar um trabalho jornalístico especial de curta duração” devem entregar vários documentos necessários, “perante o Consulado da República Bolivariana da Venezuela” do país onde se encontrem no prazo “mínimo 30 dias úteis antes da data de chegada ao país”.

As mensagens do ministro Jorge Arreaza surgiram depois de a imprensa venezuelana e internacional ter noticiado a detenção de vários jornalistas estrangeiros, alguns dos quais foram expulsos do país.

Na quarta-feira, a agência de notícias espanhola EFE dava conta do desaparecimento de um dos seus funcionários, um fotojornalista colombiano, que tinha viajado para Caracas em trabalho.

Segundo o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP), o fotojornalista Leonardo Muñoz e um motociclista, que o acompanhava, foram detidos a leste de Caracas por funcionários dos serviços secretos militares venezuelanos (Direção de Contrainteligência Militar.

O fotojornalista entrou no país a 24 de janeiro último, num voo proveniente de Bogotá, tendo declarado, nos serviços de imigração venezuelanos o tipo de trabalho que pretendia realizar no país.

Também esta semana foram detidos dois jornalistas chilenos, que foram expulsos do país. As autoridades detiveram ainda dois venezuelanos, que já foram libertados.

A imprensa local deu conta ainda da detenção de dois jornalistas franceses e de um produtor audiovisual, desconhecendo-se, até ao momento, se foram libertados.