Grupo de Lima reforça pressão para realização de eleições “livres e justas” na Venezuela

20 Fev 2020 / 18:34 H.

O Grupo de Lima, fórum criado para acompanhar a crise política na Venezuela, iniciou hoje uma reunião em Otava, Canadá, com o objetivo de pressionar a realização de eleições gerais e presidenciais “livres e justas” naquele país sul-americano.

Na capital canadiana estão os ministros dos Negócios Estrangeiros dos atuais 15 Estados-membros do Grupo de Lima, bem como de dois países observadores: República Dominicana e Equador.

“A crise da Venezuela continua a agravar-se. Quase cinco milhões de venezuelanos tiveram de fugir do país porque o colapso económico e porque o regime viola diariamente os seus direitos democráticos”, afirmou o chefe da diplomacia canadiana, Francois-Philippe Champagne, na abertura da reunião, insistindo que o Grupo de Lima, criado em 2017, considera o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, como ilegítimo e que exige novas eleições naquele país.

O Canadá decidiu adotar uma oposição frontal ao regime de Maduro, a quem nega qualquer reconhecimento, e decidiu considerar o líder da oposição e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como Presidente interino da Venezuela até à realização de novas eleições presidenciais.

“Temos sido a voz na região que tem liderado as pressões para conseguir mudanças. Precisamos de continuar a sê-lo. O mundo está a observar-nos e espera uma liderança de cada um”, prosseguiu o ministro canadiano, que culpou a “ditadura de Maduro” pelo “sofrimento humano, destruição ambiental e colapso económico” na Venezuela.

O ministro peruano, Gustavo Meza-Cuadra, que também preside à reunião em Otava, também insistiu na necessidade urgente de “encontrar uma saída rápida” para a situação atual em que vivem os venezuelanos.

“Para esse fim, reiteramos que a única maneira de restaurar a democracia e superar a crise na Venezuela é a rápida realização de eleições presidenciais e parlamentares inclusivas, livres, justas, transparentes”, defendeu o ministro do Peru.

“Não é normal que um país tenha cinco milhões de pessoas fugidas”, reforçou Gustavo Meza-Cuadra.

Os 15 países do Grupo de Lima presentes em Otava são: Argentina, Brasil, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia.

Na cidade canadiana também está um representante de Juan Guaidó, que se autoproclamou Presidente interino venezuelano em janeiro de 2019.

Portugal, que conta com uma significativa comunidade de portugueses e de lusodescendentes na Venezuela, já participou numa reunião do Grupo de Lima como observador.

Os últimos dias têm sido marcados por um diferendo entre Lisboa e Caracas, depois de o governo de Maduro ter feito acusações contra a companhia aérea portuguesa TAP e de ter decidido suspender por 90 dias as operações da transportadora naquele país por “razões de segurança”.

A recente chegada a Caracas de Juan Guaidó, após um périplo por vários países, ficou marcada por agressões que lhe foram infligidas no aeroporto e pela detenção de um tio que viajou com ele num voo da TAP de Lisboa para a capital venezuelana.

O regime venezuelano acusa a companhia aérea portuguesa de violar “leis internacionais” ao permitir o transporte de explosivos -- que imputa ao tio de Juan Guaidó - e de ter ocultado a identidade do líder da oposição venezuelana no voo proveniente de Lisboa.

Na quarta-feira, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse que Portugal mantém a linha de política externa em relação à Venezuela, reconhecendo o governo de Maduro como “as autoridades de facto” do país e reiterando “o reconhecimento político” atribuído a Juan Guaidó para desencadear eleições livres e transparentes.

“Não vale a pena tentarem desafiar Portugal, para Portugal sair de uma linha de política externa que é conhecida de todos os 192 países que fazem parte das Nações Unidas”, disse Santos Silva, em declarações em Lisboa, reafirmando que a decisão das autoridades venezuelanas em relação à TAP é “infeliz, injustificada, incompreensível e inaceitável”.

Portugal está a investigar o incidente reportado por Caracas.