Ex-Presidente da Bolívia Evo Morales diz que é alvo de ‘mandado de detenção ilegal’

11 Nov 2019 / 08:16 H.

O ex-Presidente da Bolívia Evo Morales disse este domingo, após ter anunciado a renúncia ao cargo, que foi emitido contra si “um mandado de detenção ilegal” e que grupos violentos invadiram a sua casa.

“Denuncio ao mundo e ao povo boliviano que um polícia anunciou publicamente que foi instruído a executar um mandado de detenção ilegal contra mim; ao mesmo tempo, grupos violentos invadiram a minha casa. Os conspiradores destroem o Estado de Direito”, escreveu Evo Morales na sua conta na rede social Twitter.

A mensagem foi publicada depois que o líder cívico Luis Fernando Camacho também ter garantido nas redes sociais que havia uma ordem para deter Morales.

“Confirmado! Mandado de prisão contra Evo Morales! A polícia e os militares estão a procurá-lo em Chapare, lugar onde se escondeu”, escreveu Camacho, numa referência à área da Bolívia central onde se supõe que se encontre Morales.

“Os militares tiraram-lhe o avião presidencial e ele está escondido em Chapare, vão em frente!”, acrescentou.

Nenhuma fonte oficial boliviana prestou qualquer informação, num país confrontado com um vazio de poder gerado após a renúncia de grande parte do Governo e daqueles que constitucionalmente poderiam suceder ao Presidente, casos do vice-presidente e dos líderes da Câmaras dos Deputados e do Senado.

Jornais de Cochabamba, como Los Tiempos e Opinion, divulgaram imagens de uma casa de Morales a ser saqueada naquela cidade.

Várias das principais cidades da Bolívia, como Cochabamba, La Paz e El Alto, registaram uma onda de pilhagens, incêndios e outros distúrbios na noite de domingo, com a população a pedir ajuda à Polícia e às Forças Armadas.

Muitas unidades policiais já se tinham retirado das ruas para se amotinarem nas esquadras e as Forças Armadas reiteraram nas últimas horas que cumprirão o seu papel constitucional sem agir contra o povo.

No Domingo, horas depois de ter convocado novas eleições, Morales anunciou sua renúncia, após quase 14 anos no poder, no seguimento de demissões de ministros, parlamentares e governadores.

A convocação de novas eleições tinha sido proposta pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que elaborou um relatório no qual foram detetadas sérias irregularidades nas eleições de 20 de outubro, nas quais Morales foi proclamado vencedor pelo quarto mandato consecutivo.

Oposição e líderes cívicos, a polícia e os comandantes militares pediram que se demitisse enquanto crescia a tensão no país, com o registo de três mortos e mais de 400 feridos em confrontos.

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