Ex-ministro britânico Boris Johnson quer negociações com UE antes de terceira votação

18 Mar 2019 / 12:32 H.

O ex-ministro do Negócios Estrangeiros britânico Boris Johnson considerou hoje “absurdo” realizar uma nova votação sobre o Acordo de Saída do Reino Unido da União Europeia sem tentar novas negociações no Conselho Europeu desta semana.

“Há um Conselho da UE esta semana. Não é tarde demais para conseguir uma mudança real na solução de último recurso [backstop]. Seria absurdo realizar a votação antes mesmo de ter sido tentada”, defendeu hoje o deputado conservador eurocético na coluna semanal publicada no diário The Daily Telegraph.

Na opinião de Johnson, considerado um potencial sucessor da primeira-ministra, Theresa May, o mecanismo para evitar a reposição de uma fronteira física na Irlanda do Norte “dá à UE uma forma ilimitada de chantagem, para que possam manter-nos trancados na união aduaneira e em grandes partes do mercado único, a menos que estejamos dispostos a abandonar a Irlanda do Norte; e eles vão usar essa chantagem para ganhar vantagem durante as negociações, principalmente sobre a livre circulação de pessoas”.

Apesar de não ter ainda sido confirmado, o Governo sugeriu na semana passada que estaria disposto a submeter o Acordo de Saída pela terceira vez ao parlamento britânico até quarta-feira.

Na semana passada, além de ter chumbado o texto pela segunda vez, o parlamento também determinou que o Reino Unido não deve sair da UE sem acordo e que deve pedir um adiamento do ‘Brexit’ para depois de 29 de março.

Theresa May admite pedir à UE uma “prorrogação técnica curta e limitada” de três meses, até 30 de junho, necessária para passar a legislação indispensável para ratificar o Acordo de Saída, se este for aprovado até quarta-feira, véspera do Conselho Europeu.

Uma extensão mais longa implica que o Reino Unido realize eleições para o Parlamento Europeu em maio e que apresente uma justificação que convença todos líderes dos 27 Estados membros, pois é uma decisão que necessita de unanimidade.

Em declarações hoje à BBC, o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Jeremy Hunt, disse que o governo espera poder realizar o terceiro ‘voto significativo’ na terça-feira devido aos “sinais prudentes de encorajamento”.

“Esperamos que sim, mas precisamos de garantir que temos os números [suficientes]. É por isso que está a decorrer imenso trabalho com colegas, com o DUP (Partido Democrata Unionista da Irlanda do Norte) e com todas as partes do partido Conservador”, afirmou.

Hunt referiu o nome de vários eurocéticos proeminentes, como o ativista Matthew Elliot, o antigo ministro das Finanças Norman Lamont ou a deputada e ex-ministra do Trabalho Esther McVey, que nos últimos dias abandonaram a oposição ao acordo para defender um voto favorável.

“O risco de saída sem acordo ficou reduzido, mas a paralisia do ‘Brexit’ não é o que as pessoas querem, elas querem que esta questão fique resolvida e que o país saia da UE respeitando o resultado do referendo [de 2016]”, acrescentou Hunt.

O voto dos 10 deputados do DUP é considerado importante para inverter a margem de 149 votos com que o Acordo de Saída foi chumbado na terça-feira passada, mas também para influenciar outros eurocéticos solidários com as preocupações dos aliados no Parlamento.

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