EUA e Rússia não estão condenados a rivalidade de guerra fria

23 Jan 2019 / 02:40 H.

Os Estados Unidos e a Rússia “não estão condenados a uma rivalidade de guerra fria”, mas Moscovo deve “mudar o seu comportamento”, declarou o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, no Fórum Económico Mundial de Davos.

“Não estamos obrigados a ser antagonistas. Podemos fazer melhor que isso”, insistiu Pompeo por videoconferência a partir de Washington, onde teve de ficar, em vez de se deslocar à Suíça, devido à paralisação parcial da administração federal dos Estados Unidos (’shutdown’), que vai no seu 32.º dia - a mais longa da história do país.

“Mas, para tal, é necessária uma mudança russa na sua maneira de pensar e no seu comportamento no mundo”, acrescentou.

Esta “mudança de comportamento” deve incidir, acima de tudo, “na Ucrânia e naquilo que eles fizeram para influenciar as eleições nos Estados Unidos e por todo o mundo”, indicou Pompeo, acrescentando que “esses não podem ser os comportamentos de um país que quer ser membro da comunidade internacional”.

O chefe da diplomacia norte-americana disse, contudo, pensar que o Kremlin de Vladimir Putin pode regressar “ao caminho certo”, o “do Estado de direito e da liberdade”.

“Se eles fizerem isso, estou confiante quanto à possibilidade de ver os nossos dois países crescer lado a lado”, afiançou.

Antes da sua eleição, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu aproximar-se da Rússia, mas todas as suas tentativas depararam até agora com a resistência de uma parte da sua Administração republicana e do Congresso, muito hostil a Moscovo, num contexto de investigação sobre suspeitas de conluio entre a equipa de campanha do multimilionário e o Kremlin para influenciar o resultado das eleições e garantir a sua vitória.

Apesar de não considerar que exista um antagonismo irremediável com a Rússia, Mike Pompeo classificou, em contrapartida, a China como uma das principais “ameaças atuais”, com “o seu modelo económico centralizado, o seu belicismo em relação aos vizinhos e o seu Estado totalitário dentro das suas fronteiras”.

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