EUA consideram “ridícula” sanção de inelegibilidade contra Guaidó
Os Estados Unidos classificaram hoje como “ridícula” a sanção de inelegibilidade durante 15 anos decidida pelas autoridades venezuelanas contra o presidente do parlamento venezuelano e líder da oposição, Juan Guaidó, que foi também afastado do seu cargo.
“Essa é boa. É ridículo”, declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Robert Palladino, depois de o próprio Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela e reconhecido por mais de 50 países, ter rejeitado a sanção anunciada em conferência de imprensa pelo Controlador-Geral da República, Elvis Amoroso, afirmando ser “uma farsa”.
“Ele não é controlador. Não existe um controlador, e não existe sanção de inelegibilidade. O Parlamento legítimo é o único com poder para designar um controlador”, declarou Juan Guaidó, recordando que Elvis Amoroso foi nomeado para esse cargo pela Assembleia Constituinte, que usurpou o poder da Assembleia Nacional, a única eleita pelo povo venezuelano num sufrágio reconhecido pela comunidade internacional.
Segundo Guaidó, a impossibilidade de se candidatar a cargos públicos hoje decretada “não é o que é perigoso, o perigoso disto é que [os apoiantes de Nicolás Maduro] continuam a atacar a Presidência interina”.
Amoroso anunciou hoje a inelegibilidade do autoproclamado Presidente interino para o exercício de cargos públicos durante 15 anos, argumentando que “se presume” que Guaidó “ocultou ou falseou” dados da sua declaração de património e recebeu dinheiro de instâncias internacionais e nacionais sem justificar.
“Hoje, vamos continuar nas ruas a aplicar a nossa Operação Liberdade, pelo fim da usurpação”, disse Guaidó, numa alusão à exigência de saída de Maduro da Presidência do país, que assumiu a 10 de janeiro deste ano, após eleições não reconhecidas pela oposição nem pela maior parte da comunidade internacional.
A Procuradoria-Geral venezuelana já iniciou duas investigações contra Guaidó, deputado do partido Vontade Popular (VP) -- do opositor preso Leopoldo López -- que ascendeu a 05 de janeiro passado à presidência da Assembleia Nacional venezuelana.
Uma dessas investigações está relacionada com a sua proclamação como Presidente interino e a outra com o seu alegado envolvimento no primeiro apagão que a Venezuela sofreu no passado dia 07 de março.