“Somos apenas 30% humanos”

28 Mai 2019 / 15:46 H.

A segunda parte da 3.ª edição da Conferência Inovação e Futuro, que está a ter lugar esta terça-feira no Centro de Congressos da Madeira, arranca com Ana Teresa Freitas, CEO e co-fundadora da HeartGenetics, Genetics and Biotechnology SA, depois de uma alteração de última hora no programa: José Santos-Victor, que devia ser o primeiro orador depois do almoço, passou para as 15h50.

Ana Teresa Freitas começa por explicar por que “devíamos todos ter os dados da nossa genética”.

A HeartGenetics é uma empresa que desenvolve actividade na área da saúde digital e da genética humana, estando focada na transformação de dados genéticos em conhecimento com aplicação imediata na área da saúde e bem-estar. E Ana Teresa Freitas que, além de ser “madeirense de gema”, também é docente no Departamento de Engenharia Informática do Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade de Lisboa, aprofunda o tema sob o título ‘Genes e Bits: uma aposta na área do bem-estar’ começando por dizer que a genética “vai transformar de uma forma radical a nossa vida”.

Medicina, bem-estar e outros são as três grandes áreas em que a genética pode ser aplicada, afirma a especialista.

Na medicina, seja para prevenir uma doença ou para perceber se uma dada pessoa pode ou não tomar uma determinada droga, entre outros, podem ser utilizados testes genéticos.

Na área do bem-estar, a genética dá informação sobre se uma dada pessoa tem predisposição para ganho de peso, para desregulação de insulina. E até na área do exercício físico, perceber se alguém tem mais capacidade para ser um maratonista ou outro desportista. Ou se um maratonista tem predisposição para ter muitas lesões.

“Agarrar na informação genética e poder fazer com que seja útil”, reitera Ana Teresa Freitas. E acrescenta: através do conhecimento genético é possível comer muito sem engordar.

Depois de extrapolar os passos do processo de um teste genético, como por exemplo que informação tem “de ir buscar a cada célula”, que depois são enviados para laboratório, Ana Teresa Freitas utiliza a imagem do barco utilizado no Titanic para exemplificar: “Imaginem 2.000 barcos daqueles cheios de livros... Equivale a uma grávida. Ou seja, as mulheres estão desde sempre habituadas a lidar com big data. Quando um bebé está a ser processado, a informação que está a ser gerida é brutal”.

“Hoje em dia é muito fácil ter acesso aos dados de um genoma. O problema é interpretar esses dados e fazer conseguir com que essa informação passe a ser útil, é preciso muita computação”, explica.

Ana Teresa Freitas explicou ainda que a genética pode ajudar na perda de peso, na regulação de insulina e em vários aspectos de cada organismo, mas que na maior parte os humanos são muito semelhantes: “A sequência do genoma é muito idêntica em todos os seres humanos. Quando uma característica é muito forte e diferente da maior parte da população, portanto aparece em menos de 1% da população, chama-se mutação. (...) Somos tão parecidos entre nós que só devia haver uma raça: A raça humana”. E nada tem a ver com a quantidade de genes já que, por exemplo, o genoma do arroz tem mais genes do que o dos humanos.

Mais, disse Ana Teresa Freitas: “Somos apenas 30% humanos”, se contarmos as células de humanos comparadas com as de bactérias [que todos os organismos transportam].

Ter acesso à informação de um genoma completo custa mais ou menos 15 mil euros. Mas há testes que não lêem tudo e custam a partir de 20 até 100 euros, diz Ana Teresa Freitas. De qualquer forma, em Portugal, apenas é possível fazê-lo com orientação médica.

Agora, segue o debate em torno da apresentação de Ana Teresa Freitas, moderado pelo director do DIÁRIO, Ricardo Miguel Oliveira.