Polícias da Madeira a caminho de manifestação histórica em Lisboa

Agentes partem com vontade de “rebentar os muros da Assembleia” da República

21 Nov 2019 / 12:21 H.

Um grupo de polícias do Comando Regional da Madeira viajou esta manhã para Lisboa com o propósito de participar na manifestação que promete juntar, na tarde desta quinta-feira, entre 10 a 15 mil elementos afectos às forças de segurança, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, naquela que promete ser a maior concentração de sempre.

O protesto foi convocado pela APG/GNR e ASPP/PSP, a que se juntaram outras sete estruturas sindicais representativas dos agentes da PSP e militares da GNR: SIAP, SNCC, SINAPOL, OSP, SVP, SPP/PSP E ASAPOL. A par destas, também o ‘Movimento Zero’, uma plataforma online pro-activa que tem vindo a ganhar a empatia de centenas de polícias anónimos e sem vínculo sindical, está também a conseguir uma significativa mobilização de elementos para a manifestação, inclusive da Madeira.

“Aí vamos nós rebentar com os muros da Assembleia”, escreveu na página no Facebook, Tiago Cardoso, agente da PSP do Comando Regional da PSP, no momento em que se preparava para embarcar no avião, aludindo aos blocos de betão, com cerca de uma tonelada cada, que o Ministério da Administração Interna mandou instalar ontem, à frente dos gradeamentos que vedam o acesso à escadaria da Assembleia da República.

Uma medida que visa travar a progressão dos manifestantes contra o Corpo de Intervenção Rápida, equipados com capacetes, bastões e escudos, que será posicionado estrategicamente na linha da frente a proteger o Palácio de São Bento, a partir das 13 horas, num perímetro de segurança que promete ser tenso e que colocará polícias fardados contra polícias em protesto.

O objectivo é evitar a repetição do que aconteceu há precisamente seis anos, a 21 de Outubro de 2013, quando dezenas de polícias furaram as barreiras e tentaram invadir o parlamento.

Os sindicatos que subscrevem o manifesto, ontem divulgado aos associados, apelam “ao bom senso e responsabilidade de todos para que não tenham atitudes que coloquem em causa o trabalho dos polícias que estão de serviço, que não criem situações de alteração de ordem pública que ponham em causa a segurança das pessoas ou que aproveitem esta iniciativa para fins que atropelem, desacreditem ou comprometam os seus verdadeiros motivos ou a condição policiais dos profissionais da PSP e da GNR”. Em suma, adverte: “Cada um é responsável pelos seus actos”.

A organização do protesto recusa conotações partidárias à manifestação de hoje, devendo centrar-se na resolução imediata do caderno de reivindicações que os sindicatos das forças de segurança entregaram: A devolução do valor retirado ilegalmente, nos suplementos, em tempo de férias, desde 2011; Aplicar o subsídio de risco conforme aprovado na AR; Actualização da tabela remuneratória; Garantir que o desconto para o SAD (Serviço de Asssitência na Doença), já de valor exagerada, seja feito só nos 12 meses por ano; Aplicar a legislação da fiscalização da saúde e segurança no trabalho e considerar a profissão de desgaste rápido; Cumprimento do previsto no estatuto da PSP no que se refere â pré-aposentação, com desvinculação dos polícias, se o desejarem, aos 55 anos.

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