Plataforma AZIA manifesta-se na Ponta do Sol contra as jaulas de aquicultura

31 Jan 2020 / 11:36 H.

A Plataforma AZIA, composta por um grupo de cidadãos que estão contra a instalação de jaulas na Costa Sul da Madeira, organiza este domingo, 2 de Fevereiro, às 16 horas, uma manifestação intitulada ‘Não às Jaulas!’, no Cais da Ponta do Sol.

A manifestação surge depois de o Secretário do Mar e das Pescas, Teófilo Cunha ter confirmado a pretensão no avanço da Aquicultura na Ponta do Sol e no aumento do número de jaulas da AC1, no Arco da Calheta.

Uma situação que a Plataforma AZIA condena, pois, ao contrário do que os representantes do governo tentam fazer crer, “não se trata de uma guerra partidária, estamos todos a lutar pela causa na qualidade de Cidadãos, sendo a maior parte apartidária”, refere Elisabete Andrade, membro da Plataforma AZIA, considerando que as razões são “mais do que suficientes para exigir esclarecimentos” aos governantes.

Elisabete Andrade explica, através de comuniado, que a Plataforma é contra “a forma como o processo de decisão política em si foi e continua a ser levada a cabo, pois existe ocultação deliberada de informação à população”.

Já quanto à Aquicultura em si, “somos contra pelo impacto ambiental, pois este modo de produção de peixe polui os fundos marinhos com fezes e ração não ingerida, produtos químicos de síntese e antibióticos”, refere, salientando que “promove doenças e interfere com a genética dos peixes selvagens”, para além de “impactar também sócio-economicamente a nossa região, pois este tipo de empreendimento entra em conflito com outras actividades económicas locais, entre elas o turismo, pesca, e actividades náuticas diversas”.

Entende que não é uma mais-valia para a economia local, pois emprega apenas 30 pessoas, apesar de gerar em vendas, como no caso do ano transacto, 5,1M€, e tem também “impacto na saúde e bem-estar de animais e humanos, entre várias situações, devido ao alimento natural dos peixes ser substituído por cereais OGM e farinhas de sangue e penas, oriundas de matadouros, comprometendo o bem-estar dos peixes e das pessoas que os consomem”. Isto para além do “impacto visual que a maioria da população aponta, pois compromete a paisagem e beleza estética da costa”.

Acusa ainda o governo regional de usar como justificação a “sobrepesca que está a contribuir para a diminuição dos stocks de peixe e as alterações climáticas, como se a aquicultura offshore fosse a solução, porém, e ao contrário do que veicula, esta não é uma solução nem alternativa”, refere, apontando para “outros sistemas mais benéficos” sem ferir os nossos ecossistemas, tais como a aquaponia em escalas domésticas e comunitárias, em que os próprios locais, organizados em cooperativas, podem almejar a verdadeira soberania alimentar.