Mais trabalhadores e mais ganhos mensais nas empresas da Madeira

Informação sobre Quadro de Pessoal de 2017, dá conta, por exemplo, que o Funchal tem cerca de 41% da população, mas trabalham 64,6% dos 44,5 mil trabalhadores por conta de outrem

14 Nov 2019 / 16:32 H.

Em 2017, segundo a informação da Série Retrospectiva dos Quadros de Pessoal divulgada pela Direcção Regional de Estatística da Madeira, o número de trabalhadores e o ganho médio mensal cresceram 3,3% e 1,4% face a 2016, respectivamente. A informação, actualizada hoje, resulta do apuramento estatístico, por sua vez baseados no Anexo A do Relatório Único - relatório anual que compila dados sobre a actividade social da empresa e que é respondido pelas entidades empregadoras com pelo menos um trabalhador por conta de outrem. Esta informação é preenchida ao nível do estabelecimento, lembra a DREM.

Nesse sentido, sendo a informação mais actual possível, foram apurados para 2017 um total “de 44,5 mil trabalhadores por conta de outrem (a tempo completo e com remuneração completa) nos estabelecimentos localizados na Região Autónoma da Madeira (RAM), mais 3,3% que no ano anterior, o que significa um reforço da tendência crescente iniciada em 2014, ano que marcou a interrupção de um período de cinco anos (iniciado em 2009) de reduções sucessivas”, fruto da crise que assolou também a Região.

“Funchal (64,6%), Santa Cruz (11,6%), Câmara de Lobos (5,3%) e Machico (5,1%) eram os municípios que concentravam maior número de trabalhadores por conta de outrem nos estabelecimentos”, sendo que na capital madeirense vivem apenas 41% da população, não estando incluídos no Quadro de Pessoal os trabalhadores das administrações públicas regional, local e afectas ao Estado central.

“No polo oposto encontravam-se os municípios da costa Norte da ilha da Madeira, mais concretamente o Porto Moniz (0,6%), Santana e São Vicente (ambos com 1,1%)”, frisa a DREM. Refira-se que, apesar de tudo, o cenário já foi pior para pelo menos um destes concelhos. “Face a 2016, e em termos relativos, é de destacar o aumento de trabalhadores em São Vicente (11,1%), no Porto Santo (10,5%) e na Ponta do Sol (10,2%). Porto Moniz (-1,9%) foi o único município a apresentar uma redução naquele indicador”.

O peso crescente do sector terciário

Acrescenta a DREM que, “considerando a distribuição dos trabalhadores por conta de outrem por sector de actividade, observa-se que o sector terciário (comércio e serviços) foi naturalmente o que assumiu maior expressão, ocupando 81,1% do total do pessoal ao serviço em 2017, tendo apresentado um aumento de 2,4% face ao ano transacto. Comparativamente ao sector terciário (indústria a construção civil), o sector secundário continua a revelar-se menos empregador (18,1% do total de trabalhadores), apesar de registar um acréscimo superior, de 7,6% em relação a 2016. Por sua vez, o sector primário (genericamente a agricultura e pescas), com apenas 0,8% dos trabalhadores por conta de outrem, registou um acréscimo anual de 4,5%. Comparativamente a 2016, o peso do sector secundário aumentou 0,7 pontos percentuais, enquanto o sector terciário apresentou uma redução de igual dimensão, mantendo o sector primário a sua proporção”.

Curiosamente ou não, mas revelador da realidade regional, “no sector primário, destaca-se Câmara de Lobos como o município onde este sector tinha maior expressão em termos relativos (3,4% do total de trabalhadores por conta de outrem do município). No que respeita ao sector secundário, o mesmo tinha um peso relevante na Calheta, em Câmara de Lobos e em Machico, concentrando 53,5%, 42,2% e 32,6%, respectivamente, do total de trabalhadores por conta de outrem destes municípios. Porto Moniz (89,4%), Funchal (87,6%) e Porto Santo (86,6%) destacaram-se pela preponderância que o sector terciário assumia na sua actividade económica”.

Mais homens que mulheres e cada vez mais pequenas empresas

Tendo em conta o sexo, “os resultados indicam que as pessoas ao serviço nos estabelecimentos empresariais a operar na RAM eram maioritariamente do sexo masculino (53,4% do total), tendo este grupo aumentado 5,3% face a 2016. O crescimento verificado no sexo feminino foi inferior (+1,1%)”, resume a entidade estatística.

Já na distribuição dos trabalhadores por escalão de pessoal da empresa, “observa-se o maior aumento de trabalhadores em empresas que têm entre 10 e 19 pessoas ao serviço (+11,0%, mais 533 trabalhadores). O único escalão a registar uma redução neste indicador foi o de 250-499 trabalhadores (-27,7%). As empresas com 500 e mais trabalhadores concentraram 20,9% do total de trabalhadores, continuando a ser o escalão de pessoal mais representativo, seguidas do escalão 1-9 trabalhadores, com 20,5%”.

Habilitações literárias crescem

Quanto às habilitações literárias, “comparando 2016 com 2017, registou-se uma descida no número de trabalhadores com habilitações mais baixas (2.º ciclo do ensino básico ou inferior). Os trabalhadores com licenciatura também sofreram uma ligeira quebra, de -0,3%. Nos restantes níveis verificaram-se subidas, destacando-se o incremento de trabalhadores com mestrado (+24,8%) e com doutoramento (+13,9%). Os grupos mais representativos continuam a ser os que possuem o secundário (30,4%) e o 3.º ciclo do ensino básico (27,6%). Os trabalhadores com habilitações superiores (licenciados, mestres ou doutorados) representavam 13,1%, o que significa que em 12 anos aquele valor quase que duplicou, visto que em 2006 era de apenas 6,8%”, deixa claro a DREM.

Pelo que não é de estranhar que o ano de 2012, em plena crise, se tenham invertido os ‘papéis’, ou seja foi quando o ganho médio mensal ultrapassou na sua curva ascendente a quebra no número de trabalhadores, estando ambos a subir desde 2014.

Quanto maior a empresa, mais ganhos

Perante isto, “o ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem apurado em 2017 situou-se nos 1.078,66€, valor ligeiramente superior ao do ano anterior (1.063,46€), o que corresponde a um aumento anual de 1,4%. No que respeita ao escalão de pessoal da empresa, destaca-se o aumento de 5,1% no ganho médio mensal dos trabalhadores de estabelecimentos pertencentes a empresas com 250-499 pessoas ao serviço”, afiança.

“O grupo com 500 e mais pessoas é efectivamente aquele que aufere melhores remunerações (1.379,14€), 27,9% acima da média regional, sendo que quanto maior é a dimensão da empresa, em regra, maiores são os ganhos dos trabalhadores. Ainda neste escalão é de realçar também a quebra verificada no respectivo ganho médio mensal entre 2016 e 2017, de 2,1%. O escalão de pessoal 1-9 era aquele que oferecia ganhos inferiores (835,52€), embora tenha registado um acréscimo de 2,7% face a 2016”, diz ainda.

Porém, “em 2017, o sector secundário era o que apresentava um ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem maior (1.148,77€), 6,5% acima da média regional. Os sectores terciário (1.065,34€) e primário (840,04€) apresentavam valores abaixo da referida média”, garante.

Homens ganham quase 20% a mais

A análise do ganho médio mensal de acordo com o sexo, para o ano de 2017, “mostra que os homens (1.167,97€) ganhavam em média mais 19,6% (ou seja, mais 191,68€) do que as mulheres (976,29€), prolongando-se a tendência que existe desde o início desta série”, reconhece.

Contudo, “enquanto em 1995 as mulheres recebiam 77,6% do ganho médio mensal dos homens, em 2017, esse rácio passou para 83,6%”, registando um claro encurtar de diferenças, mas muito lentamente. Afinal, foram precisos 22 anos para que as mulheres passassem a ganhar quase 20% a menos do que os homens face ao que era a diferença de 22,4‬%. Uma redução de 2,8 pontos percentuais em 22 anos. Para chegar a uma equiparação efectiva, a este ritmo, vai levar muitas décadas. Chegados a este nível (diferença média de 19,6%) foram preciso quase um quatro de século.

Calheta supera Funchal nos ganhos médios

Na localização geográfica, “verifica-se que o município da Calheta era o que apresentava o ganho médio mensal mais elevado (1.139,55€), seguido do Funchal (1.112,83€), Machico (1.089,91€) e Porto Santo (1.086,98€), os únicos que estavam acima da média regional (1.078,66€). Ao invés, Porto Moniz (792,18,€), Santana (821,80€) e Ponta do Sol (822,59€) eram os municípios que apresentavam os valores mais baixos neste indicador”, revela.

Doutorados ganham 866,73 euros a mais que a média

“A informação de acordo com as habilitações literárias permite observar diferenças importantes”, garante e explica: “Os trabalhadores com habilitações inferiores (abaixo do 1.º ciclo do ensino básico) tinham um ganho médio mensal menor (877,43€). Entre os que detêm o 1.º ciclo do ensino básico (921,55€) e o 3.º ciclo do ensino básico (911,35€), as diferenças são pouco expressivas, mas o diferencial dos trabalhadores com estas habilitações para aqueles com o ensino secundário (1.033,28€) é já significativo. A posse de licenciatura revela-se determinante para obtenção de um ganho médio mensal superior (1.811,89€), sendo que o expoente é atingido pelos doutorados (1.945,39€)”. Uma diferença de 1.067,96 euros face ao escalão de quem tem habilitações baixas e de 866,73 euros face á média regional.

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