Há 17 anos, Romilda estava ilegal em Portugal

‘Canal Memória’ recupera manchete do DIÁRIO referente ao dia 9 de Janeiro de 2003

09 Jan 2020 / 15:00 H.

Há 17 anos, a brasileira Romilda Costa fazia manchete no DIÁRIO de Notícias da Madeira pelo facto da sua autorização de permanência, em Portugal, ter caducado.

Ilegal, à época, no país, a curandeira viu a sua autorização de permanência, obtida em Lisboa, caducar a 19 de Março de 2002, documento esse que ainda não tinha sido renovado, 10 meses após o aviso do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Segundo o que o DIÁRIO apurou, Romilda tinha uma senha para se apresentar no SEF de Lisboa no dia 31 de Dezembro de 2002. Mas, como a brasileira não se apresentara nos serviços e como ainda não entregara a documentação exigida pelo SEF para regularizara sua permanência em território nacional, ao abrigo do artigo 100, já deveria ter sido notificada para abandonar voluntariamente o território, segundo a lei em vigor, na altura, para cidadãos estrangeiros.

A partir do momento em que Romilda fosse notificada, como dita a mesma lei, teria entre 10 a 23 dias para abandonar voluntariamente o território nacional. Em caso de desobediência, poderia vir a ser detida e presente a tribunal, para depois ser realizado o processo de expulsão, consoante a decisão do juiz.

Para que a famosa ‘curandeira’ conseguisse renovar a autorização de permanência, teria que entregar numa das direcções regionais do SEF um passaporte válido, um contrato de trabalho ou proposta com informação favorável da Inspecção Geral de Trabalho (Direcção Regional do Trabalho, para as Regiões Autónomas) e comprovativos de inscrição e, entre outros requisitos, respectivas contribuições na Segurança Social e na Administração Fiscal, referente ao período em que supostamente esteve a exercer actividade.

Há 17 anos, Romilda estava ilegal em Portugal

“Capacidades extraordinárias”

Entrevistada na altura, a presidente da Associação Madeirense de Mulheres Empresárias, Giuliana Vignolo, enviou um comunicado ao DIÁRIO a defender Romilda Costa, alegando que existiam documentos que confirmavam que a brasileira já havia sido “avaliada” por médicos de um Centro Suíço, na cidade de Basileia, no qual era amplamente confirmado que as suas capacidades são de facto “extraordinárias”.

Christine Miair, coordenadora do centro organizador de eventos que acolhe um grupo restrito de pessoas para serem “curadas” por “psicocirurgiões”, confirmou o “talento” de Romilda, mas admitiu que a sua prática era ilegal.

Dizendo que este tipo de práticas podia dar prisão, a coordenadora confirmou que, em Março de 2000, foram avaliadas várias pessoas com dons semelhantes aos de Romilda, que curam utilizando um bisturi não esterilizado e sem anestesia nem dor. Por isso, o centro “não está aberto a todas as pessoas porque, se alguma coisa corre mal, [o ‘curandeiro’] pode ser preso”, explicou.

Giuliana Vignolo tinha na sua posse um livro publicado na altura que referia que Romilda Soares Costa vivia em Iguaçu, Brasil, e trabalhava desde os 15 anos em Psicocirurgia. No comunicado, Vignolo confirma que considerava a brasileira um “fenómeno” e ela própria viu, com os seus olhos uma intervenção na qual Romilda “extraiu um quisto ou tumor a uma jovem mulher, que não recebeu anestesia, nem sangrou ao ser submetida a esta intervenção”. A paciente estava calma, perfeitamente calma, consciente e feliz por resolver a sua delicada situação de saúde. E acrescenta:

“Para além desta intervenção, nos dias que antecederam o Espectáculo Musical da Romilda no Jardim Municipal no Funchal no dia 18 de Dezembro de 2002, acompanhei o caso de um senhor madeirense ao qual a D. Romilda Soares Costa resolveu uma difícil situação derivada de um tumor na cabeça, e que foi satisfatoriamente resolvida. Foi-lhe extraído um tumor de aproximadamente 300 gramas, sem anestesia, nem nada de especial. Conseguiu obter o seu bem-estar sem ter passado por difíceis momentos noutro tipo de tratamento, como por exemplo aconteceria na medicina convencional”. A pessoa em questão encontrava-se “superbem”.