Defesa do Consumidor lança primeira campanha de deveres e é para salvar o planeta

“Temos que começar a mudar aos poucos e sobretudo através da educação da população”

14 Jun 2019 / 13:24 H.

Já vamos um pouco tarde, mas não tarde demais. O Mundo está a tempo de mudar os comportamentos e salvar o planeta, acredita Rita Andrade, e é no sentido de sensibilizar para a redução do consumo e para a adopção de hábitos de vida mais conscientes e amigos do ambiente que a Secretaria Regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais, através do Serviço de Defesa do Consumidor, lançou a campanha ‘Neste Verão Consuma com Moderação’. É a primeira campanha que aborda o consumo sustentável, troca os direitos por deveres e junta-se a uma série de outras que os serviços têm e que estão disponíveis para levar a escolas e a outras instituições. Ontem foi na Barreirinha que decorreu a apresentação, perante uma plateia formada essencialmente por alunos do Curso de Apoio Psicossocial da Escola Profissional Atlântico. O objectivo é sensibilizar os jovens e gradualmente construir um futuro sustentável.

Rita Andrade afirma que não é possível tomar medidas drásticas em termos de legislação, apesar de Portugal querer dar um passo mais à frente no sentido de que já em 2020 “se deixe de poder consumir o plástico”. São decisões que não são fáceis, disse, porque há empresas e trabalhadores que vivem dessa indústria. A secretária explicou que são mudanças que têm de ser gradualmente feitas. “Não podemos ser radicais. Se nada foi feito durante um século, não vamos mudar o mundo num ano. Temos que começar a mudar aos poucos e sobretudo através da educação da população”.

O Serviço de Defesa do Consumidor vem fazendo ao longo do tempo campanhas para alterar hábitos e dar a conhecer direitos. Hoje não foi tanto nesse sentido, diferenciou Rita Andrade. É para cumprir deveres. A mudança tem de começar nos mais jovens para conseguir influenciar todo o restante, acredita. O planeta está doente, fruto da acção do ser humano que no dia-a-dia está a destruir o que ele tem de melhor, alertou. E se não se muda o que está para trás, há oportunidade para construir um futuro sustentável. “Nós já não podemos alterar o que passou, o que foi feito de errado no passado, já passou. É a tomada de consciência e é o que é que podemos fazer a partir de hoje, que compromisso tomamos”, defendeu, incentivando à redução, reutilização e reciclagem. “Está na hora de agir, o que não fizemos antes, vamos ter de fazer agora”.

A mudança pode começar por pequenos gestos relacionados com o lixo, com a água, com os consumos, nomeadamente do plástico. A poupança de água é fundamental. “Nós estamos a passar um momento complicadíssimo de falta de água, choveu muito pouco e realmente as pessoas têm que alterar hábitos de consumo de água, enquanto lavam os dentes, enquanto tomam banho, são pequeninas acções, pequeninas coisas que fazem toda a diferença”, exemplificou a responsável. A lista vai mais longe. Comprar só o que é preciso, evitar plásticos e excessos de embalagens, valorizar os produtos biológicos e locais, tomar duches mais curtos - para ficar com uma ideia, menos dois minutos permite poupar até 40 litros de água. Estas são algumas medidas que se juntam a muitas outras que podem partir de cada um. Além de contribuir para um mundo melhor e para cuidar do meio ambiente, as pessoas acabam por poupar.

Tatiana Oliveira também esteve presente. É engenheira do ambiente e da energia e defendeu um maior uso das energias renováveis, sobretudo dos bio-combustíveis, uma vez que acredita que os veículos eléctricos são uma solução a curto prazo. É preciso ter a noção, recordou, “que tudo o que consumimos tem impacto na natureza”. E defendeu medidas urgentes, mais investimento nos processos de transformação de matéria orgânica em energia e investigação na área.

Emmanuel Ornelas, da Zero Waste Madeira é um activista que olha a questão pelo lado positivo. “Temos muito pouco tempo para agir significa que ainda temos tempo”, e incentivou também a um consumo mais sustentável, nomeadamente sem exploração animal. A indústria pecuária em Portugal é responsável pelo consumo de 80% dos recursos hídricos.

“Lavar um carro com água potável é quase criminosos”, afirmou Rita Andrade, referindo a escassez. “Tem que mudar muita coisa, se queremos cá estar amanhã”, alertou a secretária, na esperança de um compromisso.