Defensores do ferry discretos entre centenas de passageiros na última viagem do navio

Paulo Farinha falou ao DIÁRIO, mas ao contrário do previsto não houve manifestação

25 Set 2019 / 17:00 H.

O ‘Volcán de Timanfaya’ realizou, hoje, dia 25 de Setembro, a última de 12 viagens entre a Madeira e o continente.

À semelhança do que aconteceu no passado, os apoiantes da ‘Causa Ferry Madeira - Continente’, convocaram os meios de comunicação social para uma manifestação na recepção ao ferry, pela defesa de uma ligação marítima entre a Região e o continente durante todo o ano.

Todavia, a mobilização não se realizou, pelo menos nos moldes da convocatória enviada por e-mail, que referia: “dia 25 na Pontinha, às 15 horas, vamos todos dar um passeio à beira mar e aproveitamos para despedir do ferry Timanfaya do ano 2019 com apitos, cornetas, slogans, etc., mas acima de tudo muito civismo”.

Em declarações ao DIÁRIO Paulo Farinha -- um dos rostos desta causa, que chegou esta tarde a bordo do ‘Volcán de Timanfaya’ -- defendeu a manutenção da linha, embora demarcando-se dos protestos.

“As pessoas querem o ferry todo o ano, é verdade”, afirmou, dizendo que durante a viagem de barco foi contacto por várias, pessoas, inclusive emigrantes, “satisfeitos com o ferry”. “Isto é necessário todo o ano para os residentes, emigrantes e turistas”, vincou.

Para Paulo Farinha “o ferry sempre foi viável” e recorda que “a ocupação este ano superou a ocupação do ano passado.

Com efeito, de acordo com os últimos dados da operação ferry entre a Madeira e o continente, este ano, registou- se um total de 13.989 passageiros, um acréscimo de 32% face ao ano anterior, que se ficou pelos 10.601 passageiros.

Mas para o representante da ‘Causa Ferry’ enumerar passageiros não passa de “uma falácia”. “Alguém anda controlar se os comboios andam cheios ou se andam vazios e se são subsidiados?”, questiona. “O ferry anda cheio e anda vazio. A mobilidade não se deve contabilizar numa óptica económica. A mobilidade é necessária para as populações, seja do continente seja das ilhas”, sustenta. E acrescenta: “Se temos mobilidade aérea subsidiada também devemos ter mobilidade marítima subsidiada no mesmo patamar”.

Quando questionado sobre se as mudanças no panorama político regional, decorrentes das eleições de 22 de Setembro, irão contribuir para resolver esta questão do ferry, Paulo Farinha refere que “os políticos vão ter de partir muita pedra para haver um novo Governo”, o que, a seu ver, “é benéfico” para a causa.

Apesar da manifestação propriamente dita não se ter realizado, o partido CHEGA respondeu ao apelo divulgado junto da comunicação social e marcou presença, esta tarde, na recepção do navio na Pontinha.

“Nós estamos no centro da Macaronésia e isso não está a ser aproveitado. Temos de olhar à nossa volta, [a operação ferry] é muito importante para a Madeira, para a economia e para o desenvolvimento. As isenções têm de ser dadas e tem de se acabar com os subsídios”, declarou o cabeça de lista do partido CHEGA.

Miguel Teixeira diz que “inviabilizar esta linha é fácil” e que “quem está a gerir esta linha sabe mostrar os números inviáveis. Sabe dizer ‘a carga não compensa”... “pois a estes preços não compensa”, comenta.

Em contrapartida considera imprescindível que o navio faça o transporte de carga e passageiros. “Neste momento só está a fazer de passageiros e a enganar as pessoas com alguma carga”, rematou.

De referir ainda que no último desembarque do ano no Funchal pelo menos uma centena de pessoas saiu do barco a pé e muitas mais desembarcaram de carro, tal como apontavam os números já divulgados pelo DIÁRIO.

Se compararmos os números de passageiros deste ano com aqueles que se verificaram durante o mesmo período em 2011, observamos que a taxa de ocupação aumentou em cerca de 40%.

Relativamente ao número de veículos transportados, de automóveis ligeiros a motos, passando por carrinhas e camiões entre outras tipologias, também se pode concluir que a operação que liga a Madeira a Portimão registou um saldo positivo, com um crescimento na ordem dos 26% face ao último ano.

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